30.3.25

Diário de Bordos - Caminha, Alto Minho, Portugal, 31-03-2025

O peixe chama-se negrão (aparentemente é uma taínha) e está muito bem grelhado apesar de ser escalado, a praia Moledo, o restaurante Palma, o vinho branco é excelente, estou sozinho mas não estou só, hoje de manhã trabalhei para  a minha nova casa - arrumei a escrevaninha que recebi da minha Mãe aos catorze anos - e para a tarde tenho o trabalho pensado e planeado; só falta escrevê-lo. Está calor - tive de arregaçar as mangas, no sentido literal. Se a vida fosse só e sempre assim ninguém compreenderia a origem das depressões. Infelizmente não é.

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Tenho imensa pena das pessoas que têm de ver televisão por motivos profissionais e não tenho nenhuma de quem a vê por querer. É que não são apenas os conteúdos  - anúncios de produtos que não interessam pensados e executados por e para cérebros digamos limitados, notícias que se prolongam por horas e horas e são todas iguais por muito zapping que se faça - a insistência na radio trottoir também conhecida por rádio-mentecapto. É na forma também. Hoje, por exemplo, ouvi um locutor - um profissional, note-se, não um transeunte - dizer que um determinado período na vida de uma senhora qualquer tinha sido muito desafiante. Bolas! Desafiante? Vai dar de comer aos papagaios, pá. Difícil, penoso, laborioso, angustiante, aflitivo  e muitos mais não te chegam?

(Não quer dizer que me considere melhor do que os outros. Antes pelo contrário, considero-me pior do que a média. É por isso que identifico a má qualidade do medium: conheço-me e sei o que é mau. Há um programa e só um que me parece decente. Infelizmente é na televisão francesa. Chama-se La grande librairie, é o digno herdeiro do Apostrophes e eu não sei como vê-lo quando estou em Portugal.)

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Esta é aproximadamente a vigésima quinta mudança em menos de cinco anos. A próxima vai ser para um sítio muito quente, decorado com cruzes, fitas pretas e cheio de amigos a chorar.

Ou a rir e bater palmas, vá lá saber-se.

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Março dura sempre menos tempo do que Fevereiro. Deve ser por causa das alterações climáticas.

Ou do neoliberalismo, como sábia e aparentemente invocou  o Boaventura para justificar a forma como tratava as mulheres.

("Aparentemente" é força de expressão. Não o ouvi mas já li duas pessoas que o mencionaram.)

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O estúpido do Trump, a continuar assim, não vai conseguir fazer aquilo que se propôs fazer.

O que de maneira geral é pena.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.