19.12.25

Diário de Bordos - Marigot, St. Martin, DOM-TOM França, 19-12-2025

Cheguei ao Marin no dia dois deste mês. Passaram dezassete dias. Costumo dizer que se deve mudar de vida de dez em dez anos (máxima essa que não aplico desde dois mil e dez, já lá vão quinze, mas isso por agora é irrelevante). Por quantas vidas passei nestes dezassete dias? A família etíope levou-me aos meus tempos de UNHCR / CICR. Lidar com pessoas vulneráveis, vítimas de burocracias e de egos, perdidas num mundo que não é o delas; depois, o reencontro com o meu filho T. no Marin; e depois ainda o regresso ao normal: transporte para as BVI, voo para St. Martin aonde tenho de esperar quatro dias porque não há aviões para a Martinique, reencontro com o J., cada vez mais igual a ele-próprio. St. Martin no Natal: um dia para encontrar dois quartos de hotel (por sorte, na primeira noite consegui um quarto para os dois no Centr'Hotel, uma «júnior suite» (aspas porque cito) com duas divisões, tudo isto a um preço Centr'Hotel: mais do que correcto. Depois é que foram elas. I. encontrou um quarto no Shrimpy's, uma crew house que faz parte do imaginário mítico de St. Martin; e eu um quarto  em Concordia, está longe de valer o preço mas é o que há. En attendant: rhum punch no Lagoonies e na D'Beach, ontem um jantar no L'Authentic - agradável descoberta - e hoje visitas aos ships e depois excursão a Philipsburg.

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Volto ao Boolchand's com o pretexto de comprar um estojo para a máquina e como não havia saio com um zoom 12-28. Não é grande coisa mas também não foi muito caro e para o escasso uso que lhe vou dar serve perfeitamente. Fico com focais de 12 a 180, se bem com aberturas muito variáveis. 

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Philipsburg subiu bastante na minha consideração: fomos almoçar a um restaurante indiano chamado Shiv Shakti. A I. também gosta de comida indiana e regalámo-nos os dois. A melhor refeição indiana em muito tempo. 

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A minha luta com a RN continua mas tudo indica que a estou a ganhar, pouco a pouco. Veremos, como dizia o ceguinho à mulher que era surda. Cada vez suporto menos trabalho mal feito, atabalhoado, amador. E cada vez me sinto mais excluído deste mundo para quem só a forma conta, as «qualificações», os papéis. Como não estar do lado dos etíopes? E como não pensar que a culpa é minha, que vejo esta merda deste nevoeiro chegar há tanto tempo e não fiz nada?


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A I. é adorável e inteligente. Hoje percebeu que eu precisava de um momento sozinho. Aposto singelo contra dobrado que ela também, de maneira ficou no Shrimpy's e eu venho ao Arhawak beber uma cerveja e comer uns nems. Ainda estou cheio do almoço. Amanhã vou à praia. Isto é, vou para o chiringuito da Anse Marcel tentar não pensar no Y., que está no Marin a ser reparado pela M. Hoje passei horas ao telefone com ela e parece-me que está a fazer um excelente trabalho. Amanhã haverá mais e no domingo verei.

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Sinto-me no meio de um jogo de Tetris em que as peças não têm todas as mesmas formas.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.