Escrever é violar a página, violar o silêncio. Escrever é uma violência, um risco (um risco literal, quando escreves no papel). Não se deve escrever se não se tiver uma razão muito forte para isso. "Não fales se o que tiveres a dizer não for mais bonito do que o silêncio." Cito de memória. (Pitágoras: o google matou a memória...) O computador substituiu uns riscos com outros riscos mas não eliminou o risco de escrever sem ter nada para dizer. Não há beleza no ruído. Ou há, mas potencial. Como no caos: beleza em devir. Começamos no caos e nele acabamos? A morte não é a ordem absoluta: também há os vermes, a decomposição.
Há estes montes, este verde, estas estradas nas quais as pessoas circulam depressa demais. Morrer por morrer, que seja num sítio bonito. Antes aqui do que numa autoestrada?
Viver: riscar, arriscar. Escrever. Espadeirar com o vazio. Desafiá-lo: a esgrima é tão elegante, não é? Depende do adversário. Deve ser mais forte do que tu, como o vazio ou o caos. 《Que é viver, se não estar "mais aqui"?》Pasolini, outra vez.
Esta luta permanente entre a memória e o futuro, os "projectos" (aspas porque é irónico)? Uma guerra que gera riscos em vez de nascer deles. Ganhar uma batalha: escrever na água. Ganhar a guerra: escrever. Magoar o silêncio.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.