Trabalho para comer, beber e comprar livros. Esta é a versão curta, dir-me-ás e eu concordo. A essa trilogia haveria que acrescentar a fotografia e a compra de objectos bonitos. Mas estas são secundárias, se não em valor pelo menos em frequência. A renda da casa é paga pelo que já trabalhei. O resto? Não sei. Talvez pelas gotas de chuva, ou pela ocasional generosidade ou tolerância ou paciência ou amizade ou amizade, repito-me, eu sei porque de qualquer forma tudo isto se repete, sempre, inlassablement, e aqui só me repito uma vez.
Resumindo: comprei as obras completas do Eugénio de Andrade numa edição da Assírio, uma recolha de poemas do Robert Frost, poeta que conheço insuficientemente e outra ("Duzentos poemas") de Emily Dickinson, idem. A tradução é boa e é de Ana Luísa Amaral, já to posso afiançar, sentado à mesa do Pipa Velha a beber vinho do Porto e a lamentar-me em silêncio sobre a falta de qualidade dos cafés portuenses, pelo menos no que respeita ao vinho do Porto.
A jovem que serve ao balcão não sabe o que é um LBV, tem uma argola no nariz, tatuagens no braço e anéis nos dedos à la Harry Potter. A música não é má, o local é óptimo porque é escuro e está vazio. Ao contrário de mim, que estou cheio de claridade.
Escrever-te tem algumas vantagens: pelo menos posso dizer o que quero dizer-te sem ter como resposta o teu sorriso céptico nem o teu olhar crítico.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.