Normalmente associa-se o termo vastidão a deserto, mar, estepe. A algo plano, em que nada interrompe o olhar. Não concordo. Falo, por exemplo, na vastidão da amizade; falei muitas vezes, a seu tempo, na vastidão do amor que sentia por esta ou por aquela senhoras. Continuo a sentir o sentido de vastidão quando leio estes versos (não o são, nas pouco importa):
"La vida es una mala noche en una mala posada."
"Vivir la vida de tal suerte que viva quede en la muerte."
"No son buenos los extremos aunque sea en la virtud."
"It is foolish to think that we will enter heaven without entering into ourselves."
Não sei quem quem traduziu a última frase. A vastidão da minha ignorância. A propósito: a autora é Santa Teresa d'Ávila.
A vastidão da beleza: ouvia há pouco Leonard Cohen e Julie Felix cantar em dueto e dali parti para aqui, diria se não soasse tão mal. Foi a primeira vez que ouvi aquele dueto. Depois da milésima, quero dizer. É sempre a primeira vez que se ouve Leonard Cohen.
Diria tantas coisas, se não estivesse perdido na vastidão do silêncio.
Na vastidão do deserto vêem-se torres dispersas nas quais o olhar esbarra. Estão ligadas por uma linha quase invisível chamada vida. Ou memória. É a mesma coisa.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.