Venho jantar ao Rafael y Flora, o único restaurante que conheço em Porto Petro. Esta frase contém dois exageros: isto não é bem bem um restaurante e eu aposto que se saísse por essa vila fora encontraria outro que conheço. Não sei. Sei que adoro este porque é um restaurante como todos deviam ser - é bom, «barato», amical, familiar, pequeno - e além disso está mesmo à saída da dinghy dock. Gosto deste porto, apesar de não vir cá frequentemente.
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Enfim, fui deixar os clientes a Cala d'Or no dinghy e agora começa mais um período de espera. Para chauffeur só me falta o boné. O pior é que eles não afastaram liminarmente a hipótese de eu os ir buscar, coisa para a qual a minha vontade, numa escala de zero a dez é menos vinte. Não é muito, duas milhas e pouco, mas não tenho luz nem energia, passe o jogo de palavras fracote (tão fraco que não sei sequer se é um).
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Penso sem parar no post do Craig, no qual ele defende que a Razão não é suficiente e que o Homem precisa de uma dimensão subjectiva, no sentido de fora da esfera do racional. Eu concordo, claro. Só não penso que essa dimensão tenha de ser preenchida por uma religião - e muito menos por ersatz de religiões como o futebol, claro, ou as alterações climáticas, mais citadas hoje do que o demónio na Idade Média. Penso também que não se deve confundir moral com religião. São coisas diferentes apesar de ambas radicarem em necessidades neurológicas semelhantes. Somo animais gregários e sem moral não há grupo. A religião é um veículo de conexão entre pessoas - incluindo as que não conhecemos. Adorar um deus comum facilita as migrações, os intercâmbios comerciais e os culturais, que vêm atrelados. Um ateu será sempre um vagabundo, um tipo de fora, mesmo que acredite na mistura de física, química e matemática, um dos pilares sobre os quais repousa a nossa civilização. Precisa de outro? Sim. Chama-se estética. E de outro? Sim. Chama-se liberdade.
O que não me impedirá de encomendar os livros que o Craig cita. A neurologia faz parte daquela mistura.
Outro livro a encomendar é um de Desmond Morris no qual ele fala do «fenómeno futebolístico» (aspas porque cito). A livraria inglesa de Palma vai ter trabalho não tarda.
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O jogo está no fim, provavelmente nos penáltis e as excitação está no máximo. Por mim, bebo o melhor colonel da minha vida. Vale bem os urros dos crentes.
PS - Afinal não estão ainda nos penáltis.
PPS - Esta merda não acaba e um dos jovens senhores sentado numa mesa dentro das minhas áreas de visão e de audição diz que não aguenta mais. Há bocadinho respondeu a uma jovem dizendo que este é um dos piores da vida dele. Intercala insultos - o jogo está a ser jogado por uma mistura de filhos da puta e imbecis, quanto a ele - com conselhos que os jogadores infelizmente não ouvem. Se ouvissem, o jogo já teria acabado, com uma vitória incontestável da Espanha, claro.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.