14.8.26

Diário de Bordos - Cala Guya, Mallorca, Baleares, Espanha, 14-08-2026

Fundeado em Cala Guya, no canto nordeste da ilha. Da vida a bordo pouco há a dizer: entendo-me com os clientes como Deus com os anjos - ou um anjo com os deuses, para ser mais preciso.

O único senão é a porra da dor nas costas, que não me deixa beber nem uma cerveja por causa dos remédios e que ainda por cima só se torna francamente incomodativa à noite na cama. Durante o dia mexo-me como um cabritinho selvagem.  Para adormecer vejo-me e desejo-me e tenho de carregar no opióide - o tal que me faz andar a água e Coca-Cola há não sei quanto tempo. Devo estar a pagar caro esta incapacidade de vergar a coluna. Ou então de a ter vergado demais,  naquela versão "vergar a mola" com que na marinha mercante se designava trabalhar. Não sei. Sei que isto é uma porra infecta, é o que é e já não é pouco.

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Este charter acaba domingo. Não tenho mais nada marcado depois. Vai cair ao pingos, como água da chuva de uma folha de árvore. Talvez até tenha tempo e disponibilidade mental (e física) para me dedicar às cantigas de amor. O plano de ganhar o totomilhões está temporariamente suspenso: aqui em Espanha não compro aquela porcaria. Ajudo os pobres, sim, mas os portugueses. Os espanhóis que tratem dos deles.

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