Desenergizado. A palavra existe, diz o Priberam e eu acredito. Sempre é mais bonita do que cansado.
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Para vir de casa ao Jaume (também conhecido por Bodega Can Rigo) desço o Carrer de Santo Domingo, que em Agosto está cheio de gente e é um inferno, atravesso a Plaça del Rosari e desemboco no Carrer Constitució, atravesso o Passeig des Born e entro na Sant Feliu, quase ao fim da qual está a dita bodega. O troço mais bonito, a esta hora, é o da Constitució: está orientada a oeste, mais coisa menos coisa e quando lá chego a esta hora tenho um momento de ausência quase total de visão. Depois, logo a seguir, o contra-luz envolve pessoas, árvores, carros num halo que santifica tudo e todos, uma espécie de procissão laica que o meu estado emocional quase transforma em experiência religiosa.
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Hoje passei mais tempo na cama do que na bicicleta ou num café. Se calhar é por isso que me sinto tão reenergizado. E que as dores diminuíram, apesar de ter cortado os opióides.
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O jantar vai ser em casa: a M. ofereceu-me um pouco do caril que fez para o almoço. Só preciso de comprar meia dúzia de cervejas e de passar pela Babel encomendar um livro recomendado pelo M. R. Não é deixando de comprar livros que a capacidade de concentração volta.
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Estou fartinho até à medula de ouvir toda a gente reclamar contra o calor mas vejo-me obrigado a juntar-me ao coro: este calor derreia-me.
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Fui comprar o Padura e a livraria, traiçoeira e oportunística, aproveitou-de minha presença para me pôr um Pynchon nas mãos. Gosto deste duplo exercício: comprar livros que não lerei com dinheiro que não tenho.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.