29.8.26

Tristezas, magrezas

A rapariga é magra, esquelética e trouxe-me à memória uma mini-aventura que tive uma vez já não me lembro bem aonde. Creio que foi em Ponta Delgada. A senhora também era muito magra. Estava noutro barco. Era francesa, disso tenho a certeza. Não recordo as circunstâncias. Só me lembro de que decidimos passar a primeira noite num hotel e quando chegámos ao quarto ela disse-me:

- Sabes, nós, as magras, somos boas para sair e péssimas para voltar para casa. - (Isto tudo em francês,  daí recordar-me da nacionalidade dela: on est bien pour sortir mais pas bien du tout pour rentrer.) Enterneceu-me muito, a tristeza com que me disse aquilo. Passámos dois ou três dias juntos, até um de nós largar para outro sítio qualquer. E continuámos no hotel. Eu tinha um tripulante, ela uma tripulação e achámos os dois que há penas que não são de exportar, que ficam melhor entre duas pessoas que sabem de tristezas.

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