30.9.10

Exportações

Dizem que temos de aumentar as exportações. A verdade é que nós já exportamos o que temos de melhor: pessoas. Às centenas de milhar.

Já agora

Já agora, uma pergunta de nada: o que dizia Passos Coelho do TGV? Alguém se lembra?

Selvajaria injusta.

Jornal de Notícias

O Jornal de Notícias de hoje tem quatro excelentes artigos: os de Pedro Lains; Marina Costa Lobo; Nuno Garoupa e (como sempre) Camilo Lourenço.

Eu renuncio

Neste momento de aflição em que todos temos de dar as mãos e deixar de olhar só para o nosso umbigo, correspondo ao apelo de quem nos governa e de quem apoia quem nos governa, faço pública parte da lista do que o Estado criou e mantém para minha felicidade, e de que de estou disposto a patrioticamente prescindir.

Assim:




Seria fastidioso alongar-me nas coisas que o Estado criou para o meu bem estar e que me disponho a não mais poder contar. E lanço um desafio aos leitores do 4R : renunciem também! Apoiemos todos, patrioticamente, o governo a ajudar o País nesta hora de aflição. Portugal merece.

Talkie talkie

Em Portugal andamos há anos a falar do hipercluster do mar (que é uma grande ideia, de resto). Na Polónia falam menos, muito menos.

Se por acaso

Desmitos.
A Douta Ignorância.

Eu não sou economista e foi a primeira coisa que pensei. É bom ver um achismo confirmado.

Imprecisão

O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre”. Almeida Santos devia ter acrescentado "e os seus amigos". Ficaria assim: "O povo tem que sofrer a crise como o Governo e os seus amigos a sofrem".

Mas forçoso é reconhecer que já é um grande passo em frente, o que o senhor disse.

29.9.10

Náuseas

Vi o homem na televisão e fiquei um bocadinho nauseado. Citando um post no FB (não sei linkar): "Afinal de contas ainda descobriu uns quantos milhões do lado da despesa. Não se percebe é porque andou este tempo todo em estado de negação e agora aparece com o semblante grave como se carregasse o mundo às costas para nos salvar do abismo. Carrega a sua arrogância e as suas asneiras, o que só por si não é nada leve. Onde é que andarão as políticas de investimento público que tanto jogou à cara da MFL."

Pergunto-me como é que os Jugulares, Abrantes et al. vão reagir.

Desilusão

Espero, sinceramente, que Passos Coelho me desiluda uma vez mais e mantenha o que diz. Far-me-ia mudar a fraca opinião que tenho dele - para melhor, claro. É sempre bom descobrir que estamos enganados.

Mas acredito pouco, infelizmente.

Hoje na rua

Hoje na rua vi bandos de estudantes com latas aos pés a pedir dinheiro para penicos de plástico. Eram caloiros e aquilo faz, aparentemente, parte da praxe. Eu não percebo como é que jovens adultos aceitam participar em práticas degradantes, humilhantes, rídiculas e confrangedoras; e em rebanho, ainda por cima. É inquietante.

Hoje na rua vi um senhor dos seus 60 anos com uma saia de jeans e saltos altos. Vinha acompanhado pela mulher, creio; pelo menos parecia. Pensei "é a primeira vez que vejo um homem de saias", e ocorreu-me imediatamente que não é: há uns anos em Genève e em Zürich apareciam ocasionalmente. A diferença é que eram jovens. Ou seja: hoje vi pela primeira vez um homem de 60 anos com saias e saltos altos. Não foi fácil. A relação do liberalismo com o hábito é muito mais tensa do que pensamos.

Hoje na rua vi prédios num estado de degradação inacreditável. Mas isto vejo todos os dias; estranho é que ainda os veja, e ainda me revolte.

O governo fedorento dos gatos

Há dias vi, creio que no Facebook, alguém a perguntar "onde andam os Gatos Fedorentos?". A resposta é: estão no governo.

"Documentação exigida aos pastores transumantes e a entregar quase exclusivamente pela net:«Para a instrução do licenciamento da área de pasto, cada produtor tem de entregar um formulário com descrição exaustiva da actividade e da exploração pecuária, a caracterização da Parcela Valorização Agrícola (gestão dos efluentes pecuários), uma Declaração de Responsabilidade Sanitária, uma Declaração de Responsabilidade pelos Animais e uma Declaração do Produtor (do proprietário da exploração onde se localizam os pastos). (…) Além destes documentos, cada o pastor está também obrigado a manter um registo de existências e deslocações, actualizado semanalmente, e onde devem constar, entre outros elementos, uma planta em escala não inferior a 1:25.000, indicando a localização das instalações da actividade pecuária e abrangendo um raio de um quilómetro, com a indicação da zona de protecção e da localização de outras edificações envolventes.»"

28.9.10

Discutir, opinião, gosto

De qualquer forma, se não discutirmos opinões e gostos, o que discutimos? O que comparamos, quando não comparamos opiniões?

E se por cá se fizesse a mesma coisa?

"Suites judiciaires à la crise islandaise"

Raban

Prometi que escrevia um texto sobre Passage to Juneau, de Raban. Ainda não o fiz: não é por preguiça, é por realismo.

Negação

Há pessoas que não gostam de lavar a loiça; não posso deixar de as admirar (e lamentar, de certa forma): um gajo não faz outra coisa senão lavar loiça. Melhor seria gostarem.

Firmeza

João Galamba, um deputado socialista que, no voto de condenação da França no caso da expulsão dos ciganos preferiu abandonar o Parlamento a votar contra as indicações do seu partido fala, neste post, de firmeza.

Firmeza. Repare-se: ele podia ter ficado e acatado as ordens, porque concordava com elas; ou votado contra, como Sérgio Sousa Pinto. Não: preferiu ser firme e abandonar a sala.

Firmeza. Isto num jovem de pouco mais de 30 anos que está a começar a sua vida política.

Firmeza. Se fosse ele esquecia essa palavra, e todos os seus sinónimos.

Pelos púbicos femininos: uma perspectiva política (e saudosista)

Que saudades tenho dos pelos púbicos das senhoras de esquerda (não é preconceito, é estatística) que os usavam, sem ofensa, como as francesas em geral e as alemãs alternativas usavam os dos sovacos. Aquelas magníficas vistas de densas florestas tropicais, onde hoje, à direita, só há planícies (vá lá, colinas) lindas, mas lisas, escanhoadas; savanas.

Insónias

A vantagem de uma insónia urbana sobre uma campestre é que a primeira tem, normalmente, uma boa solução na rua ao lado.

27.9.10

Elegância

Nada é mais elegante, mais indispensável, do que uma deselegância propositada, uma deselegância vinda de alguém que sabemos elegante, fino, gracioso.