31.12.03

Felação

Esta não foi, de certeza, a melhor felação que já me fizeram - esse título está com outra boca, outros olhos - mas foi a mais inesperada, e de qualquer forma aproxima-se muito.

Eu tinha acordado cedo, como de costume, e a empregada trouxera-me o pequeno almoço: ovos estrelados, bacon, sumo de laranja, um galão frio, quase gelado, e torradas. A casa era uma daquelas construções coloniais assentes em pilotis, com uma varanda de quase três metros a toda a volta. Depois do pequeno almoço, fui sentar-me na cadeira de balanço a ler o jornal. Ainda só tinha os shorts vestidos, sem nada por baixo, porque apesar de cedo já estava calor. A minha mulher dormia ainda, e as crianças tinham ido passar o fim de semana a casa de uns amigos na cidade.

A empregada levantou a mesa e põs-se a limpar o chão da varanda, de gatas: uma metade de casca de coco em cada mão e um pano debaixo de cada joelho. Quando chegou ao sítio onde eu estava sentado olhou para mim e continuou a esfregar. Mas pouco depois voltou a olhar para mim, e para os meus calções, onde, apercebia-me agora, o pénis e os testículos eram completamente visíveis.

Sem uma palavra, sem um olhar, sem sequer tirar os panos dos joelhos, ela aproximou-se, tirou-me o membro para fora e começou a chupá-lo. Não trocámos uma palavra, ninguém nos viu, ninguém nos ouviu; eu tentava transformar em suspiros os urros de prazer que tinha vontade de dar. O dia estava completamente imóvel, não havia sopro de vento, nada se mexia salvo a língua e os lábios dela. Estávamos na estação quente e em breve o calor seria infernal.

Quando acabou, cuspiu o esperma para um dos panos, limpou-me com a manga da camisa, foi buscar outro pano e continuou a esfregar o chão da varanda. Eu fui para o quarto deitar-me ao lado da Maria José, e tentar fazer-lhe amor. A coisa repetiu-se duas ou três vezes; depois despedi a empregada, e recusei sistematicamente todas as jovens que se apresentaram para a substituir.