10.12.08

Desigualdade

No Público de hoje (sem link directo) Rui Tavares escreve que o aumento das intenções de voto na esquerda se deve à desigualdade e à fraca mobilidade social. Rui Tavares diz ainda que a direita tentou dar uma resposta a estes problemas, no tempo de Cavaco Silva, e falhou.

Penso que Rui Tavares se engana: a fraca mobilidade social, a gritante e insuportável desigualdade são o resultado de anos e anos de políticas de esquerda - nunca houve em Portugal políticas verdadeiramente de direita, liberais. E a solução não passa, naturalmente, por mais políticas mais à esquerda; passa por uma verdadeira liberalização da economia, do mercado de trabalho, da diminuição do peso do Estado.

Portugal tem neste momento um gravíssimo problema de produtividade (leia-se este post, lapidar, de Tavares Moreira no Quarta República); a carga fiscal é muito maior do que a anunciada, porque as inúmeras e injustificáveis taxas que pagamos a cada passo para fazer seja o que fôr não são contabilizadas como encargos fiscais; tem um mercado de trabalho de uma rigidez cadavérica; uma lei das rendas que desincentiva a modernização do comércio e a mobilidade geográfica e só contribui para tornar os centros das nossas cidades naquilo que eles são hoje; uma burocracia asfixiante, povoada por funcionários públicos em número excessivo - e, pior ainda, mal distribuídos (nalguns sectores faltam, e muito) - cuja única função é colocar obstáculos ao sector privado.

É no conjunto de políticas de esquerda que arrastamos connosco há largas dezenas de anos - e na nossa incapacidade para as mudar - que se deve procurar as raízes da desigualdade e da fraca mobilidade social. 

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