"On n'avance pas vers la vérité. On change de dogme, c'est tout."
O problema sendo que a maioria das pessoas continua a não perceber que os dogmas têm um prazo de validade.
Como a verdade, de resto.
Fotografia sujeita a copyright.
8.12.08
Fotografia
1 - O objectivo da fotografia não é mostrar, é esconder;
2 - Todas as fotografias, incluíndo os retratos, são auto-retratos;
3 - Uma fotografia deve ser irrepetível;
4 - A matéria prima da fotografia é a luz.
Luís, parecem-me muito polémicos estes seus «statements». Vamos por pontos: 1. O que é que a fotografia pode pretender esconder? O que lá não aparece não se escondeu, porque não estava lá... Só se se refere ao que lá estava, mas se escondeu atrás da objectiva, que é o próprio fotógrafo. 2. Assim sendo, se o que se esconde é o próprio fotógrafo, não há nenhum auto-retrato… embora haja o que o observador da fotografia imagina – ou deduz – sobre os gostos estéticos do fotógrafo. É certo que estes podem dizer muito, mas não dizem tudo, nem sequer o mais importante... ou talvez sim?... (Nota intercalar: acho que o Luís já me «pegou» o seu estilo «interrogativo» e recheado de dúvidas e apartes de debate.) 3. Concordo com este ponto. 4. A matéria-prima da fotografia também pode ser a cor ou a forma ou uma especial combinação de factores… Embora a luz seja fundamental para que se veja, há fotografias pouco «luminosas», de dias, lugares ou caras cinzentos, que acho muito expressivas. É como com os olhos. Há quem considere os olhos mais brilhantes e líquidos os mais bonitos. Sem dúvida. Mas tenho notado que os mais sombrios e opacos são muito «surpreendentes».
obrigado por estes seus comentários, como sempre precisos, concisos e straight to the point.
Deixe-me começar por lhe dizer que da versão original do post cortei quase metade (como sempre, aliás: se tivesse que fazer um statement semelhante para a escrita, diria que escrever é desbastar, cortar, podar) e talvez tenha perdido uma informação importante: onde se lê "fotografia" deve ler-se "minha fotografia".
Isto posto, vamos ao resto:
a) A fotografia esconde muito - para começar, tudo o que não está na fotografia: enquadrar é escolher, seleccionar, cortar.
Mas pode também esconder o que lá está: apercebo-me com o tempo que já não estou interessado na definição das objectivas como estava antigamente, por exemplo. Ou que estou muito mais interessado nas formas do que nos pormenores. De toda a série de fotografias da Praça das Flores que fiz recentemente, por exemplo, a minha favorita - e de muito longe - é a da criança perto do chafariz. De todas as suas fotografias, a que mais gosto é a do Cais das Colunas - logo seguida pela de Lisboa que uma vez lhe pedi.
2 - Ao fotografar seja o que fôr estamos a mostrar o que somos. Se puser dois fotógrafos na Praça das Flores obterá fotografias diferentes. Pode dizer-me que isto se passa com todas as formas de arte - mas não é assim tão líquido. A fotografia tem, no seu código genético o ónus da objectividade (o qual até no vocabulário se manifesta, de resto);
3 - é o que separa a fotografia da pintura, não é?
4 - Tudo na fotografia deve ser luz, porque é a luz que impressiona os sais de prata (no meu caso) ou os sensores (no seu). As cores e as formas podem ficar para a pintura.
Claro que haverá magníficas fotografias que não se enquadram totalmente nisto e continuam a ser magníficas. É do que eu gosto, na arte: a tensão entre as excepções e as regras.
Posso meter o bedelho só para dizer que o queixo me caiu? Qual de vós me ensinará a fotografar e a escrever assim, tão brilhantemente? Cumprimentos respeitosos aos dois :-)
Luís, parecem-me muito polémicos estes seus «statements». Vamos por pontos:
ResponderEliminar1. O que é que a fotografia pode pretender esconder? O que lá não aparece não se escondeu, porque não estava lá... Só se se refere ao que lá estava, mas se escondeu atrás da objectiva, que é o próprio fotógrafo.
2. Assim sendo, se o que se esconde é o próprio fotógrafo, não há nenhum auto-retrato… embora haja o que o observador da fotografia imagina – ou deduz – sobre os gostos estéticos do fotógrafo. É certo que estes podem dizer muito, mas não dizem tudo, nem sequer o mais importante... ou talvez sim?...
(Nota intercalar: acho que o Luís já me «pegou» o seu estilo «interrogativo» e recheado de dúvidas e apartes de debate.)
3. Concordo com este ponto.
4. A matéria-prima da fotografia também pode ser a cor ou a forma ou uma especial combinação de factores… Embora a luz seja fundamental para que se veja, há fotografias pouco «luminosas», de dias, lugares ou caras cinzentos, que acho muito expressivas. É como com os olhos. Há quem considere os olhos mais brilhantes e líquidos os mais bonitos. Sem dúvida. Mas tenho notado que os mais sombrios e opacos são muito «surpreendentes».
Luísa,
ResponderEliminarobrigado por estes seus comentários, como sempre precisos, concisos e straight to the point.
Deixe-me começar por lhe dizer que da versão original do post cortei quase metade (como sempre, aliás: se tivesse que fazer um statement semelhante para a escrita, diria que escrever é desbastar, cortar, podar) e talvez tenha perdido uma informação importante: onde se lê "fotografia" deve ler-se "minha fotografia".
Isto posto, vamos ao resto:
a) A fotografia esconde muito - para começar, tudo o que não está na fotografia: enquadrar é escolher, seleccionar, cortar.
Mas pode também esconder o que lá está: apercebo-me com o tempo que já não estou interessado na definição das objectivas como estava antigamente, por exemplo. Ou que estou muito mais interessado nas formas do que nos pormenores. De toda a série de fotografias da Praça das Flores que fiz recentemente, por exemplo, a minha favorita - e de muito longe - é a da criança perto do chafariz. De todas as suas fotografias, a que mais gosto é a do Cais das Colunas - logo seguida pela de Lisboa que uma vez lhe pedi.
2 - Ao fotografar seja o que fôr estamos a mostrar o que somos. Se puser dois fotógrafos na Praça das Flores obterá fotografias diferentes. Pode dizer-me que isto se passa com todas as formas de arte - mas não é assim tão líquido. A fotografia tem, no seu código genético o ónus da objectividade (o qual até no vocabulário se manifesta, de resto);
3 - é o que separa a fotografia da pintura, não é?
4 - Tudo na fotografia deve ser luz, porque é a luz que impressiona os sais de prata (no meu caso) ou os sensores (no seu). As cores e as formas podem ficar para a pintura.
Claro que haverá magníficas fotografias que não se enquadram totalmente nisto e continuam a ser magníficas. É do que eu gosto, na arte: a tensão entre as excepções e as regras.
Posso meter o bedelho só para dizer que o queixo me caiu?
ResponderEliminarQual de vós me ensinará a fotografar e a escrever assim, tão brilhantemente?
Cumprimentos respeitosos aos dois
:-)