7.2.11

Funcionários públicos: oxímoros; ou: a força e a farça

A expressão "funcionário público" em Portugal é um oxímoro. Podem ser públicos, mas funcionários não são. São um bando de prepotentes e arrogantes, "sempre com a lei na boca mas incapazes de se servirem dela para o bem público" (Miguel Castelo Branco, Combustões), que pensam que o mundo se rege pelo mesmo calendário que eles e que os seus ritmos de trabalho, perdoem-me a hipérbole, são os do resto das pessoas, e que deve ser o mundo a vergar-se aos cafés de suas excelências em vez delas, excelências gongóricas e fátuas a adaptar-se ao ritmo das pessoas que trabalham.

Dizem-me que eu tenho de aprender a lidar com esta cáfila? Recuso-me. Seria a capitulação da razão perante a força, da esperança perante a farça. Seria como aprender a lidar com a Cosa Nostra. Não devemos pactuar, não podemos aceitar.

Acho inaceitável - inaceitável e revoltante - que um funcionário público francês se preocupe mais com a minha situação  e tente resolvê-la rapidamente do que um português. E acho revoltante e nauseabundo ter de pedir a um funcionário público francês e eficaz que me faça um favor porque os "meus" funcionários públicos são uma cambada de inúteis e incompetentes.

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