19.2.14

Diário de Bordos - Cartagena de Índias, Colômbia, 18-02-2014

O dia foi difícil. Nenhum dos cinco passageiros que tinham confirmado (é preciso rever o sentido da palavra confirmar) apareceu: os chilenos porque não queriam pagar o depósito, os dois do Alfredo porque, muito provavelmente, o Alfredo estava a mentir.

De maneira estamos outra vez à sec de toile. Felizmente conheço um restaurante que aceita o meu passaporte como meio de pagamento provisório e podemos comer e, apesar de tudo, divertirmo-nos. A esperança não é a última a morrer; é o humor o último a morrer.

E fazemos planos para debaixo do passenger rainbow.

A verdade é que isto roda depressa: hoje já apareceram mais três pessoas, duas das quais para Cuba. Onde, por uma inacreditável coincidência, passarei em breve com o A.F.

Amanhã confirmam - mas no sentido clássico do termo: massa na mão -. O resto é conversa, e conversa não paga rum, se me é permitida uma pequena paráfrase.

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Hoje chegou a vela grande; o piloto está reparado; já só falta tratar das escotilhas e da ignição do motor de estibordo. Questão de chuva.

Quer venha, muita e depressa.

Estamos a montar uma estrutura de vendas e de logística em Cartagena que tarde ou cedo dará frutos. É a vantagem de não partir do zero: a esxperiência serve para alguma coisa. Todos os potenciais passageiros de amanhã resultaram desse trabalho. Tal como a de Bocas está a funcionar. O charter tem três factores de sucesso: as vendas, as vendas e as vendas. Às quais se seguem a tripulação primeiro; depois o barco.

Estamos no bom caminho; está cheio de altos e baixos, mas contra isso não se pode fazer nada se não trabalhar, pensar e rir.

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Cartagena tem pouco mais de um milhão de habitantes, creio; mas é uma cidade silenciosa. Não há barulho: as pessoas não gritam, os carros não têm música aos berros, não há rádios com colunas da altura da torre Eiffel. Deve ser isto o que me leva a gostar tanto desta terra.

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Cinco clientes confirmados em San Blas. A roda gira depressa. Basta aguentar firme.