21.2.14

Diário de Bordos - Cartagena de Índias, Colômbia, 21-02-2014

Pouco a pouco o HELENA S. vai dando a volta, vai-se enchendo de pessoas - jovens, menos jovens, mas todos invariavelmente contentes -. Afinal não largámos ontem, por coisas relativas a coisas que agoram não interessam; largamos amanhã. É tarde, pois temos cinco pessoas, talvez oito no Panamá e tenho absolutamente de chegar a Turtle Cay Marina domingo. Felizmente há vento, mas a vontade de rasgar a grande outra vez é muito pouca, nula, zero.

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Estes problemas com a imigração podem parecer ridículos, mas têm um fundo bom: demonstram que a corrupção na Colômbia não é aberta e desenvergonhadamente aceite como, por exemplo, no Panamá. Enfim, não sei se é bom - neste caso é, porque não teria dinheiro para pagar, se fosse no Panamá -. Aqui pelo menos essa tarefa é-me poupada. Quem se encarrega dela são os agentes de navegação, que a lei nos obriga a utilizar. Eles é que têm os seus avençados na Imigração, e um bom agente é aquele que tem muitos.

O Cartagena run não vai durar para sempre.

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Os passageiros são jovens, gente boa e alegre. Um deles, Matias é um designer gráfico e especialista de Photoshop. Ontem esteve a mostrar-me os seus trabalhos. Fiquei sem ar. Uma vez mais confirmei que Photoshopista é uma maneira de ser artista a tempo inteiro, como ser fotógrafo, escritor, pintor ou músico.

Vai desenhar-me o site que depois o Lopo porá em linha. Tenho sorte, no fundo. Ter amigos com talento e paciência e generosidade é uma bênção.

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Últimas horas em Cartagena; daqui sigo para os EUA, depois - espero - Brasil. É preciso um plano se queremos poder não o respeitar, aforismo já aqui muito vezes citado. E é preciso paciência e perseverança, se queremos respeitá-los. Ou então fazer planos mais fáceis, mas essa é uma hipótese que por qualquer razão me escapou.