10.5.14

Diário de Bordos - Shelter Bay Marina, Panamá, 10-05-204

Já aqui estou há dois dias e ainda não choveu uma única vez. O lago Gatun está em baixo (pouco, e muito menos do que os catastrofistas profissionais, mudancistas de clima e afins dizem). Claro que no Panamá o nível do lago, do qual depende o Canal é mais vigiado do que a temperatura das senhoras nos casais católicos apostólicos e romanos; mas tal como o método das temperaturas as previsões de catástrofe falham. A baixa é pequena, pouco mais de meio metro. E a "época seca" (entre aspas porque as chuvas no Panamá vão de Janeiro a Dezembro. Época seca é quando chove menos, não quando não chove) está quase a terminar.

Penso todos os dias no título do jornal que vi nos Açores quando lá cheguei a primeira vez: "Pior seca desde mil novecentos e troca o passo. Não chove há três semanas". As novas eclusas vão recuperar sessenta por cento da água que utilizam. Daqui a meia dúzia de anos vai haver problemas com o nível demasiado alto do lago.

Ironizo, claro Podem sempre descarregar o excesso, sem pré-avisos, para que fundear no Chagres continue a ser uma lotaria (enfim, quase niguém lá vai, verdade seja dita).

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Isto dito o Panamá é um país lindo e merece ser conhecido. Tenho pena de não ter navegado mais por estas costas e ilhas quase desertas, com uma flora estonteante até para quem, como eu, é pouco sensível à verdura.

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Varela, o novo presidente tem como prioridade o controle dos preços de "vinte e dois artigos básicos". Pensei que as coisas iam piorar gentilmente; parece que me enganei.

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Falhei um trânsito. Estou furioso. Enfim, estava, ontem, quando o descobri. Depois passou. Devia ter feito mais dockwalk e ido mais vezes à piscina e ao bar. Não sei viver em marinas. E estou muito mais furioso com outras coisas, como por exemplo ir de avião e não a navegar. Ou ir sem as minhas coisas que ficaram no catamaran. Enfim, tudo tem remédio: bastam tempo, dinheiro e paciência.