17.4.15

Diário de Bordos - Bocas del Toro, Panamá, 17-04-2015

De Manaus a Bocas del Toro a viagem custou-me, para além do preço, um desodorizante e uma pasta de dentes (Manaus), um corta-unhas e uma tesoura (Panamá). De vez em quando gostaria de perceber os critérios dos aeroportos. Mas é só de vez em quando, e felizmente passa depressa. Em Lisboa tive de deixar o pouco que me sobrava (mesmo assim muito) de um frascão de Fahrenheit que comprara em Colon a preço de hiper-saldo num dia de festa e desde aí nada me aborrece - mesmo que me surpreenda, ao contrário da água de colónia, puro esquecimento -.

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Reencontro Panamá com prazer: a memória é um aramzém de coisas boas. Para as más lá terem lugar ou forma muito más ou a memória não pertence a um incurável optimista.

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A Marina de Red Frog tem um restaurante, finalmente. Chama-se Castaways. É parco, como novidade. Continua a ser a marina mais mal gerida do planeta e arredores.

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Bocas continua a habitual mistura de beleza e chuva, verde e cinzentio, água e água. Estou contente por regressar a este lugar no qual pensava não me ter integrado muito. Vejo agora que fazia mais parte dele do que pensava.

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Surfers e backpackers. A população flutuante de Bocas é jovem e nem sempre, mas frequentemente bonita. Poucos carros, muitas bicicletas, skaters, peões.O ambiente é simpático, cordial, amigável. O calor e a humidade envolvem-nos como se tivéssemos permanentemente um cobertor a agasalhar-nos.

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W. é um ketch em ferro-cimento.  Se alguém um dia me tivesse dito que um dia atravessaria num barco de pedreiro ter-me-ia rido até ficar sem pulmões.

Lição número um milhão duzentos e cinquenta e qautro mil trezentos e vinte e três: não rir do que tem mais força do que nós.

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Notas de Panamá  (14-04-2015)

É com um estranho mas  inegável prazer que revejo os Panamás, a cidade e o país. Alexis estava à minha espera; o trajecto até à cidade demorou o mesmo que o voo de Manaus aqui; às sete dá manhã estavam vinte e seis graus e provavelmente oitenta e muitos por cento de humidade; a reserva das pessoas  (ou secura, para quem gosta de eufemismos. Má educação para os outros) continua, claro.

Levei muito tempo a habituar -me, mas agora está feito. Até tenho pena de não ficar uma noite aqui.

É provável que nas próximas semanas isto venha a mudar; por agora esta duplicidade, esta cidade que à superfície parece uma coisa e na verdade é outra seduz-me.

Vim para o Balboa Yacht Club esperar até serem horas de ir comer ao Casco Viejo. De lá vou para o aeroporto. Terei visto os três pólos da minha vida aqui.