22.5.15

Diário de Bordos - Isla San Andrés, Colômbia, 21-05-2015

É sempre assim: tudo vai mal - ou pelo menos nada vai bem - e de repente tudo muda, sem pré-aviso, sem água-vai, sem sequer um murmúrio.

Penso mas não tenho a certeza que tudo começou com a partida dos dois jovens. Arrumei a loja, organizei-me. Ou então foi com o desmontar do pau de bujarrona. Não sei, não quero saber e tenho raiva a quem sabe.

Sei que hoje tudo mudou: tenho água corrente - uma improvisação / adaptação ao modo W., mas que funciona (comprei três metros de mangueira de meia polegada e liguei-a à bomba de água. A outra extremidade vai para um dos garrafões. Amanhã vou comprar um y e posso usar dois garrafões de cada vez. Quarenta litros de água duram bastante tempo); comprei tomadas e fichas e fiz (mandei fazer) um adaptador 110V / 30 A - 110 V / 15 A. Já choveu e funciona. Ou seja: tenho duche a bordo, água no lava-loiças, ventoínhas, os dois frigoríficos a funcionar. Arrumei o grupo: acabou-se o barulho, os enchimentos de tanque, o desperdício.

Isto de manhã. À tarde apareceram-me o electricista (anda a dizer-me que vem "daqui a pouco" desde terça-feira) e o mecânico - que não pôde trabalhar porque o lugar estava ocupado pelo electricista, ó ironia feroz e deliciosa. Seria capaz de apostar o dedo mindinho em como vou ficar aqui retido pela coisa mais fácil de reparar de todas: o braço hidráulico. (Amanhã um vem de manhã e o outro à tarde. Se vierem, claro).

Net, duche, ventoinhas e frigoríficos no máximo (a 12V só tenho um e no mínimo, um bocadinho antes de a água ferver). Em breve saberei o que se passa com a caixa, terei o tacómetro a funcionar, o alternador reparado, o sensor de temperatura da água a sentir, o pau de bujarrona feito - amanhã a madeira chega ao carpinteiro e vamos avaliar quanto tempo vai precisar de secar - e as peças do braço hidráulico a caminho.

A verdadeira felicidade é feita de coisas mais simples - e sobretudo de menos, suponho -; mas esta arrima-se-lhe o suficiente para eu gostar.