27.12.15

Diario de Bordos - Philipsburg, Sint Maarten, Antilhas Holandesas, 27-12-2015

O dia devia ser de trabalho mas enquanto não conseguir olhar para os dedos sem que eles me doam espero.

Vim à Sucrière beber um café e comer um queque de amoras (se a diabetes pensa que manda bem pode desenganar-se. Hoje é dia de queque. Até pus creme nas mãos).

Como não venho aqui muitas vezes a paisagem é outra. Vejo as mesmas colinas e a mesma laguna e sinto o mesmo vento que ontem me estragou o suporte do bimini mas de uma perspectiva diferente.

Ainda é cedo e as colinas absorvem a luz como as esponjas água e devolvem-na filtrada e verde. Os barcos fundeados também são outros, excepto o cata belga que até ontem estava na Lagoon Marina e agora veio para uma bóia mesmo aqui à frente.

Cada vez quero mais ter um barco meu e fazer para mim as palhaçadas que faço para os outros. Talvez consiga o L. de borla. É pequeno e velho mas lindo de se morrer por ele. Depois precisa de tudo novo, do motor à mastreação. Não sei se lhe ponha um motor, de resto. É um plano German Frers pai que tem alguns sessenta anos e tem tudo de origem: velas, motor (a gasolina), molinetes, mastro... tudo. A construção é impecável. Espero não se tenha degradado muito estes anos que esteve sem cuidados.

Dormi nele muitas noites e fiz alguns bons jantares. Daria um excelente barco escola, fundeado em Mértola e a fazer passeios até Gibraltar e volta. Ou à Madeira.

Tenho de resolver o problema da energia, claro. E o do nome.

Isto caso a actual armadora mo dê. R. acha que sim, mas R. é um optimista. Eu também sou e acho que ela mo vai dar e vou conseguir pô-lo em estado de atravessar e a evolução vai um dia fazer os porcos voar.

Há uma bóia livre entre a esplanada da Sucrière e o cata. E as colinas continuam a reflectir enriquecida a luz que recebem, apesar das nuvens que ocasionalmente se interpõem entre elas e o Sol.

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A descida só não foi gloriosa porque não tenho grande confiança na burrica; se tivesse tão pouco o seria: duas rodas de vinte polegadas é pouco para grandes entusiasmos.

Mas foi boa, mesmo assim. Qualquer descida o é e esta teve a vantagem adicional de ser inesperada. Nunca pensei que conseguiria subir a colina.

Consegui e agora bebo uma Presidente mesmo ao lado da Bobby's Marina em Philipsburg enquanto na tasca ao lado passa Bob Marley e a chuva se anuncia mas faz esperar, como se fosse um prazer.

Daqui a pouco volto para Simpson Bay. Depois da chuva e outras novelas.

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Alguém pôs Bob Marley na categoria Reggae. Se calhar foi ele próprio, na volta.

Enganou-se. Está na categoria Música.