9.6.16

À séria

Chega inevitavelmente o dia em que a realidade ganha. Trata-se apenas de não a deixar ganhar à séria, para sempre; e de nos lembrarmos de quando ela não tinha ainda pousado.

De quando podia oferecer-te flores. Não digo um ramo de flores tão grande tão grande que tu precisasses de um escadote para me ver por detrás delas e de uma grua para o pôr na jarra. Não, nada disso. Trata-se apenas de uma flor, uma só. Oferecer-te uma flor que resumisse na sua essência todas as flores que quero oferecer-te (e te oferecerei um dia), uma flor tão bonita, tão simples e essencial que bastaria tu olhares para ela um segundo e perceberias quanto, oh quanto, eu quero oferecer-te uma flor.

Chega inevitavelmente o dia em que a realidade ganha e as flores perdem. Não faz mal: não a deixarei ganhar à séria.