7.2.17

Diário de Bordos - Genève, Suiça, 06-02-2017

Por vezes penso agudamente nela. Coisa que me enche de alegria: sendo agudo não é grave.

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"Mudei de casa": vim para casa de S. A curiosidade cedeu o lugar à emoção. Penso em Damásio: sem emoções não há conhecimento. Nem memórias, provavelmente.

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O namorado de S. mora no Jura, uma região produtora de absinto há muitos anos. Gostaria de deixar aqui expressa uma declaração de amor a essa bebida, tão injustamente perseguida ao longo dos anos. Sobretudo quando é feita por conhecedores amadores para amadores conhecedores (ou não; não sei). É uma bebida divina. Não: diabólica. Não: vem do ponto onde o divino e o diabólico se encontram.

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Saio da periferia de Genebra para o centro. Só não parece que mudei de país porque os preços são os mesmos. É uma das coisas nas quais a Suíça não mudou: os suíços continuam, como dizia W. em 1982, a não ter noção dos preços.

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A tradicionalmente obrigatória, obrigatória e tradicional fondue de queijo da minha chegada à Suíça foi hoje. Espero que nunca ninguém me pergunte se gosto mais de um cozido à portuguesa se de uma fondue de queijo como deve ser: queijo da fromagerie Roy (dantes conhecida como fromagerie Oberson em Plainplais; vinho branco Vaudois decente; bastante pimenta preta, um traço minúsculo de noz moscada, um caquelon bem esfregado com alho, em uma molécula de Maizena, um bom golpe de Kirsch no fim). Detesto empates.

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