4.7.17

Diário de Bordos - Genève, Suíça, 05-07-2917

Desta vez a Iniciativa (Popular, de seu nome completo) veio de um partido (a UDC, que por sinal tem dois ministros no governo): querem acabar com as subvenções federais à televisão e à rádio, o que implica acabar com as respectivas taxas. Hoje foi dado o primeiro passo de um processo que terminará para o ano num referendo: o parlamento rejeita a Iniciativa e não lhe opõe sequer uma alternativa (contra-iniciativa: quando o Parlamento reconhece um fundo de validade à iniciativa mas sugere alterações à proposta. Quando isso acontece o povo escolhe entre os dois). Ou seja, o assunto vai directamente para decisão do Soberano. As probabilidades de passar são poucas: vendo televisão na Suíça percebe-se bem o que significa o conceito de serviço público.

"Quanto mais se envelhece mais se gosta da Suíça", escreveu uma senhora num livro chamado La Triomphante (cuja leitura de resto recomendo). Estava prenhe de razão, a senhora. Em Portugal o projecto devia ser aceite, na minha opinião. A qual é reconhecidamente falha de bases sólidas: há muitos anos que deixei de ver regularmente televisão em Portugal, sejam os canais públicos sejam privados. Vislumbro de vez em quando, por curtos, brevíssimos momentos: chegam para manter viva a aversão e lhe confirmar a razão de ser.

Verdade que aqui vejo as notícias, só. O suficiente para ver que as subvenções não são mal gastas.

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Os filhos saíram de casa e eu, que não moro com eles há muitos muitos anos vivo o síndroma da casa vazia.

Não só psicológica mas tambem fisicamente: levaram as camas e estou outra vez a dormir no sofá da sala.

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Genève tem a maior concentração de miúdas giras por metro quadrado do planeta  (e uma delas é minha filha, o que me enche de orgulho e de bem estar. É reconfortante contribuir positivamente para a paisagem urbana).

Isto é uma opinião? É, sem dúvida. Mas se alguém quiser fazer um estudo para ver se se torna um facto eu ofereço-me como voluntário para o trabalho de campo.