30.6.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 30-06-2018

Não sou grande fã de Luís Miguel Cintra a dizer poesia - sofre do mal português de parecer que está a conter uma diarreia enquanto declama - mas ontem graças a uma senhora que não conheço (mas sei que é uma senhora) descobri a leitura de um sermão de António Vieira dito por ele.

Há tempos comprei a obra completa dos sermões e li alguns. Pensei imediatamente que a escrita é uma maravilha, mas ouvidos deviam ser melhores. São. Pelo menos a julgar por este (Sermão de Quarta-Feira de Cinzas, no Youcoiso).

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Hoje depois da sesta fui pedalar por Palma: palmear, creio que lhe chamei um dia. Aterrei num café colombiano que tem Aguila (a dois e cinquenta, preço mais do que aceitável). Os colombianos fazem a melhor cerveja do mundo (com a óbvia excepção da Smithwicks, que não é deste mundo) e a Aguila é a melhor cerveja colombiana. Não muito longe há um restaurante mexicano. Imagino que os urugaios tenham o seu também, aqui perto. Gostava de saber onde: preciso de sair para comer qualquer coisa e prefiro evitá-los.

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Segunda vou para um apartamento durante dois meses. Deixo de andar a saltar de um lado para o outro, sem fazer e desfazer sacos, nem ter de descobrir as redondezas. Faço a mudança de carro (já tenho um lugar de garagem para ele e tudo, um  bocado longe de casa mas por este preço não vale a pena perder muito tempo à procura de outro).

Tudo isto é um treino para o que me espera. Sedentarização sim, mas em doses pequenas de cada vez.

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Isto dito estou com uma falta aguda de mar. Se me apanho no P. a caminho das Canárias nem acredito.

(O M. diz-me que terá talvez necessidade de mim de vez em quando para pilotar as lanchas de um amigo em day charter. Tento não pensar muito nisso para não apanhar uma desilusão).