21.7.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 21-07-2018

É sábado, andam os horários trocados. Eu não: nenhum dia da semana me dá a volta. Tanto faço de uma terça sábado como de uma quinta domingo, de um domingo sexta e por aí fora. Nunca (ou raramente) percebi quem se alegra à sexta ou entristece à segunda: ou se gosta do que se faz ou não se faz.

Tive um dia feliz: fui deixar a armadora ao aeroporto, fui a bordo, dei um passeio de bicicleta durante o qual conheci uma aldeia chamada S'Arracó, fui beber um copo com o I. a Peguera, comprei carne num dos melhores talhos da ilha, vim para casa escrever disparates. Daqui a pouco saio beber umas hierbas secas e lamentar estar reduzido a escrever disparates em vez de os fazer também.

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Uma cidade que se conhece de bicicleta muda quando percorrida de carro. Não é a mesma cidade. Redescubro Palma ao volante do Seat Ibiza que volta e meia arranho na garagem e me cansa tanto ou mais do que a burra (mas infinitamente menos do que os autocarros de e para Puerto de Andratx).

M. (o senhor que me aluga o carro e vendeu o motor do barco) viu os arranhões e ficou-se nas tintas. M. (a armadora) comentou "se fosse uma empresa não ficaria tão indiferente". Não, sem dúvida.

Não faz mal. A verdade é que até agora só houve dois raspanços nas paredes da garagem, que é mais apertada do que os bolsos de um milionário e eu espero não haja mais. Não quero deitar o prédio abaixo.

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Palma de Mallorca é uma senhora excessivamente bonita que sorri a todos mas não se dá au premier venu.

É impossível, fútil e infantil resistir-lhe: um homem não foge, nem de uma derrota anunciada.