23.7.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 23-07-2018

Visto de cima parece uma vida normal, não é? Um gajo levanta-se, mete-se no carro, vai para o "escritório", volta para casa, despe-se, prepara uma bebida, come qualquer coisa, estende-se no sofá para descansar um bocado e pensar...

As vistas de cima enganam. Desafio qualquer dos meus amigos que trabalha num escritório a conhecê-lo tão bem como eu conheço o meu P., tão intimamente. E a saber que se aquilo não ficar bem feito não é um "Bolas, que chatice" que resolverá o assunto. E a pensar que não tarda estará a navegar neste barco ressuscitado, todos os dias um pouco mais.

Mentiria se dissesse que não gosto deste ritmo, destes rituais quase novos para mim; gosto, muito. Mas gosto porque todos os dias olho para uma quilha e oiço "põe-me na água", porque se começa a desenhar uma data realista no horizonte, porque me imagino a ver de novo o Teide, já não o vejo há tanto tempo. E ir à presuntaria do gordo em Las Palmas, o homem conhece "pessoalmente" (aspas porque cito) os porcos de onde provêm todos e cada um dos presuntos que tem expostos na casa: antes de os comprar faz uma viagem de inspecção e vai visitar as criações e escolher os bichos que quer.

Todos os dias monto na minha bicicleta a caminho de Lanzarote.