14.7.18

Talvez: caos, entropia e vida

Um trajecto por Palma é caótico: depende demasiado das condições iniciais. O mais pequeno desvio do caminho leva-nos a milhas de para onde queríamos ir.

É uma das definições de caos: altera pouco que seja uma sequência e os resultados que obtens são totalmente diferentes dos esperados. Se na Baixa lisboeta te enganares numa rua viras na próxima e vais ter ao mesmo sítio. Se isso te acontecer em Palma só dás por ti atrás do sol posto.

Outra forma de identificar um sistema caótico: olhando para o resultado não consegues reproduzir o conjunto de situações que levaram a ele. Olhas para um empregado bancário, para um funcionário público e sabes o trajecto que fez: podes quase vê-lo a desenrolar-se à tua frente como um spaghetti a cair do garfo onde cuidadosamente o enrolaste.

(Talvez as cidades caóticas acolham com especial carinho as vidas caóticas.)

O caos tem um irmão geméo chamado entropia e um adversário, a neguentropia. A entropia aumenta o caos num sistema. A neguentropia diminui-o.

Quanto mais ordenada for uma vida menos entropia tem; quanto mais organizado for um sistema maior a sua neguentropia.

Paradoxalmente, a neguentropia é característica de um sistema aberto: a ordem precisa de energia exterior. A desordem consome mais energia do que a que gera.

Um sistema caótico consome energia e leva a resultados inesperados. Sem essa energia morre. Isto é, organiza-se.

É por isso que a liberdade é tão cara e tão cansativa, esgotante. Mas sem ela não há vida. 

(Post dedicado aos meus jovens amigos Leonor e Vasco B.)