20.3.20

Duas ou três coisas que não sei dele

a) Aprender a viver com a ideia de que não sabemos tudo. "Não sei" é provavelmente a coisa mais certa que muitos de nós dizemos. Infelizmente, não o dizemos o suficiente e nem todos o dizemos tão frequentemente quanto devíamos. "Não sei" (ou, neste caso, "não sabemos"). O que é um sinónimo de: "vamos saber" e não de "vamos dar a nossa opinião";

b) O facto de muita gente dizer uma coisa não quer dizer que essa coisa seja certa. Ninguém acreditou em Galileu Galilei, Newton enfrentou uma descrença generalizada, Einstein foi ridicularizado. Isto não significa que a maioria está necessariamente errada. Significa que pode está-lo, talvez esteja;

c) Há uma hipótese - sublinho e repito, hipótese - segundo a qual o Covid-19 já existia há muito tempo, já muita gente em todo o mundo ter sido exposta a ele e ter adquirido imunidade. Em que se baseia essa hipótese?

1 - No caso do M/S DIAMOND PRINCESS. Só vinte por cento das pessoas a bordo contraíram o vírus, apesar de o navio ter um sistema de ar condicionado (se não tivesse, morreriam todos assados ou congelados) e de as refeições terem continuado a ser servidas nas salas de comer (é impossível distribuir refeições por todos os camarotes). Este caso é extremo: o navio esteve fechado a contactos com o exterior, andou para trás e para a frente e esse vírus não conseguiu infectar mais de vinte por cento das pessoas?

2 - Toda a imprensa fala na percentagem de mortes em relação aos casos infectados, mas ninguém fala na relação mortes / população total. É ínfima. Ora se se admitir, como a Islândia acaba de demonstrar, que os casos sintomáticos são cerca de metade dos casos totais infectados - isto é, metade das pessoas infectadas não apresenta sintomas - a questão que se põe é: porque é que a taxa de mortalidade é tão baixa? Porque é que há tanta gente infectada sem sintomas? Uma das respostas possíveis (cf. a)) é que a maioria da população já está imune;

d) Ou seja: se se admitir que esse vírus ((cf a)) estava presente em toda (ou grande parte da) população mundial e se se admitir que as pessoas estavam imunizadas contra ele, o que é que fez essa imunidade falhar em Wuhan? Resposta: Não sabemos. Talvez tenha sido a poluição. Pode ter sido outra coisa qualquer, há um leque de possibilidades, mas a poluição integra esse leque. Ou seja, a atitude correcta é: "Vamos aprender. Vamos estudar. Vamos pesquisar. Vamos analisar."

e) A Holanda está a levar a cabo um estudo serológico. Quando se tiverem os seus resultados, algumas destas hipóteses confirmar-se-ão e outras irão para o caixote de lixo da história. Até lá, aplica-se a a) (e tenta-se não aniquilar a economia, a vida e a liberdade das pessoas, mas isso por agora é outra história. Devo confessar que pela primeira vez desde que as tartarugas têm casca apreciei a acção de António Costa, o que devia servir para demonstrar urbi et orbi que por muito teimoso que seja, sei adaptar-me e não estou preso a preconceitos ideológicos).

Adenda:  seria útil conseguir fazer-se um dia a destrinça entre pessoas que morreram por causa do Covid e pessoas que o tinham e morreram devido às patologias que já tinham antes. Não sei se é possível.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.