21.4.26

Receita: frango recheado com alheira, ordem, desordem, Patxi Andion et al.

A cozinha é uma questão de ordem e caos, uma luta entre os dois. Há que ser ordenado e fazer face à desordem. Parece complicado mas não é. Basta ter presente aquela velha máxima dos logísticos ingleses segundo a qual é preciso ter um plano se se quer poder não o respeitar.

Assim, a primeira coisa a fazer é chegar a casa com as compras e arrumar tudo o que não vai ser necessário em breve - isto é, nada. Decidir se se acompanha a feitura do comer com cerveja ou vinho. Optar pelos dois, começando pelos cereais. Em seguida põe-se o frango numa marinada de sal e sumo de limão. Fazer a tapenade: azeitonas, anchovas, um bocadinho de rum, pimenta tigre, salsa (prefiro esta aos coentros, na tapenade), azeite. Frigorífico. Dali passa-se para as batatas: descascá-las, cortá-las às fatias e pô-las de molho em água. Ao mesmo tempo, preparar o recheio do frango: ligeira cozedura nas alheiras, improvisar uma massa de alho, enganar-se na paprika picante (o que se espera elimina a necessidade de massa de pimentão). Misturar tudo: alheiras, massa de alho, um pouco mais de azeite (a melhor cozinheira é a mais azeiteira). Rechear o frango e esperar que chegue o prato de ir ao forno. Completar a marinada do frango com vinho branco. Pôr as batatas em redor do frango e forno com tudo. Esperar hora e meia a cento e noventa graus. Esperar para ver o resultado. Entretanto vai-se ouvindo Patxi Andion e recebe-se as visitas.

(Cont. - Há que ver o resultado e uma hora e meia de forno é uma pipa de tempo. A música mudou: Music for seafarers, Will Oldham.)

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Cont.

Os convivas foram simpáticos e disseram que estava bom. Eu não acho, o que é frequente. Contudo, desta vez é forçoso reconhecer que quem tem razão sou eu. Não estava grande coisa. Paciência. Só me dá vontade de refazer e re-refazer, até acertar.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.