«Por que palavra começar, por que desordem?» Estas palavras de Eugénio de Andrade perseguir-me-ão até ao fim dos meus dias. Aproveito a dica e a boleia e começo por palavras e desordens: que diferença há entre conversa de chacha e conversa de caca? Assim de repente - que está longe de ser repentinamente - penso que nenhuma de fundo. O h está alí por educação, por gentileza, por aquilo a que os franceses chamam politesse e o DeepL cortesia. Prefiro esta última. Agrada-me a ideia de um h cortês, se bem o que me inspirou esta profunda reflexão não tenha nada de cortês. Estou farto de conversas de chacha - ou de caca - suporto cada vez pior a estupidez, sobretudo quando vem escoltada por uma espécie de amor aos animais que não é amor, não é paixão, não é nada se não uma patologia psiquiátrica. Pergunto-me, obviamente, se uma patologia psiquiátrica inteligente é melhor e vem-me de seguida à mente a M. de St. Martin. Por coincidência, esta também se chama M. e as patologias são completamente diferentes. Apesar de tudo, prefiro a desta. Pelo menos não me agride directamente. Limita-se a expor simultaneamente a sua incapacidade cognitiva e o seu «amor» por animais.
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Ponhamos um pouco de ordem nisto. Estou em Cadiz e fui almoçar ao Cumbres Mayores. Fui com a M. e o F.. Depois eles «liberaram-me»: isto é, escapei-me. Desenfiei-me e vim vadiar por estas ruas que a cada metro me fazem pensar em Cartagena, mas com mais vida, mais gente na rua, mais classe. Ando à procura da praça que há alguns anos fotografei; não a encontrei. Na troca encontrei outras que não conhecia. Acho que fiquei a ganhar. Cada canto que não conheces vale dois dos outros.
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Um pouco como Barbate: o que eu perdi por só ter ido ontem ao mercado...
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O embarque na lancha de cinquenta e cinco pés mudou para dia quatro em Sevilha.
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F. precisou de três tentativas para atracar num sítio aonde havia lugar para o QUEEN ELIZABETH. Tento não me aborrecer (isto é, não me chatear) mas confesso que tenho uma certa dificuldade. Porra, eu também já falhei manobras. Muitas, mesmo. Mas nunca saí desses falhanços a dizer que a culpa é do vento. A culpa era minha, ponto final. É por isso que agora as falho cada vez menos. (Tal como a culpa, o mérito também é meu, mas isso são contas de outro rosário. Qualquer marinheiro sabe que tudo o que lhe corre bem é resultado da sorte e tudo o que não é consequência da sua nabice.)
F. precisou de três tentativas para atracar num sítio aonde havia lugar para o QUEEN ELIZABETH. Tento não me aborrecer (isto é, não me chatear) mas confesso que tenho uma certa dificuldade. Porra, eu também já falhei manobras. Muitas, mesmo. Mas nunca saí desses falhanços a dizer que a culpa é do vento. A culpa era minha, ponto final. É por isso que agora as falho cada vez menos. (Tal como a culpa, o mérito também é meu, mas isso são contas de outro rosário. Qualquer marinheiro sabe que tudo o que lhe corre bem é resultado da sorte e tudo o que não é consequência da sua nabice.)
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Procuro um sítio para turistar, escrever e passar fotografias para o computador. Tentei alguns e acabo no Mirador Las Cortes, o bar do hotel homónimo. Não é bem o local indicado mas as mesas de mármore e o sorriso do empregado compensam largamente. Cadiz é uma cidade mediterrânica travestida de atlântica, é uma cidade andaluza disfarçada de cidade espanhola (ou internacional, ma non troppo), é uma cidade tranquila e pachorrenta disfarçada de cidade normal. Talvez seja por isso que gosto tanto de aqui vir: desgosto do que se mostra, se dá a ver. Prefiro lugares - e pessoas - que se escondem, que não saltam à vista, como Lisboa ou Palma. Que têm de se descobrir e, simultaneamente, nos fazem descobrir-nos. Não há movimento para o exterior que não seja acompanhado por um outro igual e de sinal contrário, disse o senhor da maçã. E disse bem.
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Continuo a ser atacado por dores miseráveis, quase não consigo andar. Isto é: não consigo andar depressa ou muito. Ando devagar e pouco. Não vou deixar uma porra de uma dor (ou duas) imobilizar-me.
Continuo a ser atacado por dores miseráveis, quase não consigo andar. Isto é: não consigo andar depressa ou muito. Ando devagar e pouco. Não vou deixar uma porra de uma dor (ou duas) imobilizar-me.
E o que não posso, compenso com táxis. Com a massa que neles deixei em Barbate poderia comprar um helicóptero e pagar o respectivo piloto durante um ano.
Se ganhasse o totómilhões, claro.
Se ganhasse o totómilhões, claro.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.