Os cafés de cápsulas estão para o verdadeiro café como um rapaz que decidiu que é mulher para uma mulher de nascença. Tem parecenças, nada mais. Bebo um desses trans-cafés acompanhado por um pseudo-rum e vou deitar-me. F. vê uma série na televisão - nunca hei-de perceber um aparelho desses numa embarcação - M. uma série no telefone e eu digo boa noite, agradeço-lhes a simpatia - real, enorme - e venho deitar-me. O T. J. fala pelos cotovelos, consequência da ventosga que lhe chega apesar da protecção da marina. Aqui a terra chegam-nos cinco ou seis Beaufort. Esta noite foi mais. M. dizia-me "Parecia que estávamos fundeados". Não iria tão longe mas na verdade ficaria perto. Só faltavam as vagas.
........
Queria sair e deixei de querer. Fico a bordo a ouvir as queixas do T. J. e a pensar em tudo o que ainda tenho para fazer: organizar o passado e planear o futuro. Este é curto e aquele interminável. Entre os dois, o meu coração hesita e opta por viver o presente, em toda a sua simplicidade. Versão pessoal do chutar para canto, suponho. Os cantos estão cheios de bom-senso.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.