New York is cold, canta o Cohen e Lisboa também está fria respondo e daí penso que se o amor fosse um jogo haveria amores que ganhámos, outros que perdemos e uns terceiros que empatámos. Está um bocadinho de vento, pouco mais ou pouco menos dez nós, vou a pé para casa da J., tenho frio e penso que o amor não é de certeza um jogo. Se fosse, eu saberia quais os que perdi e quais os que ganhei. Não sei. Sei que tenho frio e que quero andar, apesar disso e da renitência da carcaça. E assim acabei por vir a pé, estou quase a chegar, isto é mesmo ao lado, as cidades têm surpresas destas, umas vezes estamos longe, outras perto.
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Penso pouco nos amores. Acho que os perdi se não todos pelo menos quase todos, apesar de não serem um jogo. Se fossem, perderíamos os dois, elas e eu, não haveria um vencedor. No amor ou ganham os dois ou perdem os dois e eu sinto que perdi tantos... Talvez não seja um jogo, talvez seja mais sério, uma questão de vida ou de vida.
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Como teria sido a minha vida, se te tivesse ganho ao amor?
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Às vezes lembro-me de quando fizemos amor e depois - logo a seguir - ocorre-me que nunca o fizemos. Fomos muitas vezes para uma cama juntos. Às vezes a tua outras a minha, é certo. Mas alguma dessas vezes fizemos amor?
Sâo tâo escorregadias, estas metáforas, não são? Perífrases que estão para a realidade como o açúcar para o café ou o leite para o chá.
E se não: o que foi que fizemos, então? Que fazemos hoje, tu em tua casa e eu na minha? Que nome dar a isto?
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