A que horas é o jantar?
A que horas é o avião?
A que horas é... o quê?
Abaixo a ditadura das horas. O jantar é quando eu quiser jantar e tu chegares, o avião é quando eu chegar ao aeroporto, o quê é quando o quê estiver pronto. Estou farto de horas, farto de correr, farto de objectivos. Quero um tempo sem solavancos, sem obstáculos, um tempo que escorra como xarope de ácer de um frasco que se entornou (não gosto de mel). Não quero obrigações, com a natural excepção das que eu quero. Não quero portões no meu caminho. Quero olhar para a frente sem ter nada para que olhar. Abaixo as ditaduras. Todas! Não quero ser bem comportado, abomino a educação, quero esquecer tudo o que sei sobre a pontualidade ou sobre a necessidade de fingir que o outro existe. Outro não passa de uma metáfora de opressão. Outro, tempo, boa educação e tudo isso, tudo, sem limites não passam de grades na janela de uma prisão. Abaixo as ditaduras todas - menos a da liberdade, claro.
E a da memória, aliada e inimiga do tempo.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.