2.6.26

Armazéns doridos

Todis nós, ao nascer, devíamos vir com um stock de dor. À medida que se ia vivendo, essa dor ia sendo gasta e hey, presto, monsignore, a sua velhice vai ser porreira. Porém, tudo indica que é ao contrário: nascemos com um armazém enorme e vazio e vamos enchendo-o à medida que vivemos.

O problema  é que o sacana do armazém é extensível e nunca está cheio.

Além disso, mistura tudo. É como aquelas prisões em que os presos políticos e os de direito comum não estão separados.

Entretanto, no armazém alguém resolveu organizar uma rave com dores de todos os tipos, tamanhos e feitios. Não sei quem é o disc jokey, mas sei que é uma valente merda. Para o chatear, organizei um baile de máscaras com as dores. Iam disfarçadas e ninguém as reconhecia.

(Para a M. A., com a esperança de que um dia a poesia substitua a merda toda que está no armazém.)

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