8.6.26

Diário de Bordos - Lisboa, 08-06-2026

O dia começa com as agora habituais dores na perna direita e eu pergunto-me por quanto tempo mais os terei a começar assim. Já lá vai semana e meia deste horror, remédios às dúzias, médicos, exames, raios X, TAC... Não há quem não tenha olhado cá para dentro ou ouvido-me contar a mesma história vinte vezes, ne varietur, anti-inflamatório para cá, analgésico para lá e eu só penso no anti-inflamatório que em Antigua pôs fim a dois anos de dor no calcanhar ou no que em Palma me receitaram já não sei para quê e agiu como varinha de condão nas mão de uma fada experimentada e por que raio de carga de água ninguém o tem aqui e ninguém acerta e ando para aqui a gastar um dinheirão em táxis, Uber, Bolts mai-los raios que os partam, para não mencionar a massa que deixo na farmácia e na que deixo de ganhar oprque não posso trabalhar, isto saúde e massa andam sempre de mãos dadas, ou se tem massa ou se tem tempo.

Isto dito, se por acaso a senhora ministra da saúde precisar de um consultor para resolver o problema do SNS estou disponível. Dou-lhe uma dica, senhora ministra: centre o SNS no paciente, faça dos desgraçados que têm mais tempo do que massa (não é bem o meu caso, mas por agora não faz mal. Não tenho nem uma nem outro) o centro em torno do qual o SNS age e não o contrário, é fácil, há milhares de empresas por esse mundo fora que aplicam a receita em vez de ser eu a girar como uma andorinha que se enganou de cogumelos à volta do SNS. E quem diz eu diz os outros todos, não sou o único, antes fosse. E vejam lá se me põem um anti-inflamatório que me anti-inflame - analgésico já tentaram, eu sei, mas não resultou, já tirei os pensos, aquilo só servia para me irritar ainda mais.

........
Pequena nota à margem: os queques de noz da Rialva são bastante bons. Ao menos isso. Imaginem a desgraça se fossem maus.

........
Hoje comecei a preparar a mochila como se estivesse tudo normal, sem dores e com dinheiro e depois lá tive de a esvaziar de metade. A lista de afazeres vai levar poucos cortes, coitada. Também verdade seja dita: um só telefonema ou mensagem do Hospital de Cascais seria suficiente para me preencher o dia de alegrias. Enfim, dependendo do conteúdo.

.........
Não haverá por aí quem possa ensinar os empregados de café portugueses a não fazer barulho quando arrumam pratos e chávenas de café e talheres? Se por acaso as escolas de hotrelaria precisarem de um consultor, já sabem. O número 912 420 620 está à disposição.


(Cont.)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.