1.6.26

Diário de Bordos - Portimão, Algarve, Portugal, 01-06-2026

Começando pelo fim: louvor e complexificação do SNS. Vi-lhe as duas faces de perto. Em Vila Real fui atendido por uma equipa que tinha a simpatia e a eficácia de um tractor russo avariado (com excepção de uma das enfermeras). Em Loulé foi exactamente o contrário: pessoal simpático, atencioso, afável, bonito e sobretudo competente. Tive de ir ao sector privado fazer um TAC - o SNS é um grande fornecedor de clientes para o sector privado da saúde. Só deviam era arranjar forma de essa colaboração sair ligeiramente mais barata. Ligeiramente é uma maneira de dizer, claro. Mas enfim, foi graças a essa colaboração, à ajuda dos dois primeiros componentes dos três f (family and friends. Faltaram os fools), à excepcional simpatia das médicas dos dois sectores, o público e o privado, que fiquei a saber que vou ter de ser operado à anca e à coluna.

Fiquei também a saber, mas isso foi graças a mim e a mim solo, que ir do lugar de amarração aonde estamos até ao velho restaurante Almeida releva da mais tremenda inconsciência, para não dizer estupidez. No regresso um dos seguranças deu-me boleia no buggy. À ida apanhei duas negas. Tudo isto para comer um frango assado para lá do medíocre e ouvir o supra-mencionado Almeida ralhar-me por ter pedido frango. 

Outra estupidez foi ter começado este post no computador. A dor nas costas não tolera estupidezes, sobretudo quando se seguem desta maneira. Mudar para o telefone - ou seja, do salão para o camarote  - pouco altera. A dor é teimosa e vingativa.

........

Nem uma gota de álcool durante pelo menos os próximo mês. Vai ser interessante. Ainda estou para ver uma farmacêutica criar um medicamento que deva ser tomado com vinho ou com cerveja.

........

A médica bonita, competente,  simpática e afável receitou-me fentanil (em pensos, não em comprimidos). Se isto não funcionar resta-me a morfina pura, suponho. Ou a eutanásia, claro. Aliás, os compartimentos da  caixa para as pílulas - a que os franceses dão o nome delicioso de semainier - estão a ficar cheios. Não cabe nem mais um. Carcaça, põe-te a pau.

........

Carlos, o segurança que me trouxe ao portão de buggy teve a mesma coisa e diz que gritava de dor até ser operado (no sector privado. No público teria de esperar três meses, o que é impensável. Nem Cristo ficou três meses na cruz.) Eu grito de dor e de raiva. Esta temporada vai pelo cano.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.