É um casal jovem que cruzo numa dessas ruas pedestres de Lagos, igual a dois milhões de outras ruas pedestres em qualquer buraco de turistas. Devem andar os dois pelos vinte e poucos. Beijam-se com força, quase violência. Se fosse uma banda desenhada teriam coraçõezinhos a saltar-lhes dos corpos. Penso que é normal, estão na idade do acasalamento. Já eu estou na idade do desacasalamento, continuo. E daí pergunto-me "seria possível desamar as mulheres que amei?" Amei no sentido directo do termo, não no outro. Não sei. Não teria muito interesse, de qualquer forma. A primeira senhora que me vem à mente é uma portuguesa que vive no centro do país e me fez substituir - para sempre? - o nome da estação daquela cidade pelo nome dela. Passo por ali frequentemente, nas minhas andanças entre o norte e o Lisboa e vice-versa. Depois vou andando para trás no tempo. Não são muitas, nem a meia-dúzia chegam mas interrompo o exercício por falta de interesse. É demasiado tarde e de qualquer forma já cá não estão. Cá sendo o mundo aonde vivo, desacasalado, desapaixonado, desenamorado, a viver de memórias desencadeadas por dá cá aquela boca. Elas lá andam, pelo mundo delas. Algumas já me terão esquecido, outras desejarão talvez nem me terem conhecido. E eu, lembro-me de todas?
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.