6.7.17

Re-edicão. Auto-retrato parcial. (Nunca é de mais).

Há coisas das quais me posso orgulhar: a liberdade, a independência, a incapacidade total, absoluta de emprenhar pelos ouvidos. Mais do que imune, sou alérgico ao zeitgeist. Sempre fui. A opinião dos outros nunca me interessou se não para aprender com eles o que não sei e ser capaz de fazer as minhas próprias opiniões. E o que pensam de mim é-me tão indiferente que chego a ter vergonha de tanta indiferença, nos dias piores - felizmente são poucos - .

Duvido a priori de tudo o que é consensual - não porque seja contra os consensos, mas porque acho que devem ser investigados e avaliados -.

Nunca me submeti à pressão de um grupo, fosse essa pressão de que natureza fosse. Não alinho em grupos, modas, clubes, partidos, sindicatos, escolas, facções ou seja o que for.

Respeito quem sabe mais do que eu quando me demonstra que sabe mais do que eu (ainda por cima nem é muito difícil, portanto não me parece que seja pedir de mais).

Não aceito argumentos ab auctoritate, não reconheço valor aos nomes das pessoas, às suas origens sociais, ao dinheiro que têm ou não têm; - reconheço sim e só ao que fazem. E quando há uma contradição entre o que dizem e o que fazem só me interessa o que fazem. Respeito as regras que devem ser respeitadas - a cortesia e uma das suas variantes, a ortografia - faço o que posso para ser um homem decente, sou um bom pai (se não todos os dias pelo menos a julgar pelos resultados). Mas a minha adesão a essas regras é voluntária.

Tenho uma aversão profunda, insondável a rebanhos, sejam eles do que ou de quem forem.

(Este post devia ser reeditado a intervalos regulares. Género uma vez por semana).