É muito tarde, fui jantar à La Bodeguiya, vim para bordo, passei um bom momento a falar com os armadores - um casal encantador - , estou no camarote a pensar que isto é a minha vida e pergunto-me se é uma sorte ou uma maldição e juro que não sei a resposta.
Inclino-me mais para a hipótese da sorte. Amanhã largamos para Barbate e se tudo correr bem tudo correrá bem. O único problema são as orcas e lá teremos de ir juntinhos a terra, coisa que me chateia sobremaneira.
He's a walking contradiction, diz a canção. Não passo de uma contradição flutuante e continuo sem saber se se isto é uma vida ou se é a Vida, caixa alta, alegria, harmonia, felicidade.
Opto pela Vida. Teria demasiados anos a resgatar, se não.
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Quem me tirasse esta necessidade de pensar e duvidar, passe o pleonasmo, iria para o céu.
Qual deles?
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Fui lá fora beber um último rum e perguntar-me por que raio de carga de água não nasci cheio de certezas, como toda a gente. Regressei ao camarote de copo vazio e mãos a abanar. Ele há efeitos que se repetem.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.