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20.3.08

Serviço público - Restaurantes Paris

Duas boas moradas, em Paris:

La Muse Vin, 101 rue de Charonne, metro Charonne: cozinha excelente e criativa a um preço razoável (30 euros o menu), e uma colecção de vinhos enorme: "naturais", "bio" (não conhecia a diferença), "travaillés" e mesmo "normais"... decoração mista: rústica / sofisticada, serviço eficaz. Tel.: +33 1 40 09 93 05 (atenção, só abre para jantar).

Chartier, 7 rue du Faubourg Montmartre: uma instituição, uma cantina, uma fábrica, uma excelente relação qualidade-preço: escolham. Magnífico. (Não vale a pena telefonar: faz-se bicha à porta).

E em bónus dois bares, ambos rue Montmartre: Café Noir, n° 65, e Le Coeur, 55. Jovens, boa música, bom ambiente.

2.1.08

Serviço Público - Restaurantes Paris

Este devo-o ao meu amigo Brice, grand expert de ces choses et d'autres. O restaurante A La Biche au Bois é na avenida Ledru-Rollin n° 45, 75012 Paris. Fica mesmo ao lado da Gare de Lyon, muito prático para quem vai para, ou vem de Genève.

É um excelente restaurante, daqueles que nos fazem amar ainda mais a França, depois da eleição do namorado da Bruni.

16.12.07

Serviço Público - Restaurantes, Paris

Já aqui falei destes dois, mas cá ficam de novo, nunca é demais (para qualquer deles, é fortemente aconselhável reservar):

"Au Vin des Rues", 21 Rue Boulard, 75014, Tel. 01 43 22 19 78;
"L'Opportun", 62 Boulevard Edgar Quinet, 75014, Tel. 01 43 22 19 78.

À "Brasserie Péret", 6 Rue Daguerre, 75014, Tel. 01 43 22 57 05 ainda não fui comer.

10.12.06

Serviço Público - Paris

Exposiçôes:
- Lee Friedlander, Musée du Jeu de Paume;

- La Photographie Humaniste, 1945 - 1968, Bibliothèque Nationale de France - Richelieu

- Rembrandt, La Lumière de l'Ombre, Estampas, também na BNF-Richelieu

Restaurantes

- Chez Janou, 2 rue Roger Verlomme (Marais). Tel 01 42 72 28 41. O melhor de todos, o único restaurante digno desse nome, um sítio feliz num quadro magnífico, meio Becketiano. Esplêndido serviço, esplêndida cozinha;
- L'île au Blé Noir, 80 rue Raymond Losserand, 01 45 45 07 99: um tasca bastante simpática - vá, um restaurante, pela decoração, mesmo em frente da Rue des Thermopyles, uma rua linda;
- Le Petit Baigneur, 10, rue de la Sablière, 01 45 45 47 12: é difícil arranjar lugar, pois está sempre cheio. O melhor vinho de todas as tascas - só o do Chez Janou foi melhor;
- Au Vin des Rues, 21, rue Boulard, 01 43 22 19 78. Boa carta de vinhos, decoração inexistente, ambiente convivial, porções generosas;
- Sesame, 51, quay de Valmy (Canal de Saint Martin) 01 42 49 03 21: é uma tasca muito orientada para brunches ao domingo e saladas em semana, mas tem um ambiente óptimo e café Illy;
- Cana'Bar (Rue Losserand, não sei o nº): é um clássico da casa, visita obrigatória. Vinho execrável.

Bares:
O único que merece realmente uma referência é o Duc des Lombards, 42 rue des Lombards, www.ducdeslombards.com. Site a consultar antes de cada vinda.

O único, se não contarmos com outro clássico, também já aqui mencionado, o Caveau de la Huchette.

5.12.06

A Night in Paris

Le Petit Baigneur., 10 rue de la Sablière, 75014


A chacun ses armes
Mon voisin drague la femme à sa table en faisant abondamment recours à l'histoire de son grand-père, prisonnier des allemands pendant la deuxième guerre mondiale. La femme, dont je ne vois que les cheveux, blonds et beaux, très beaux (cela ne va pas toujours ensemble) et le dos, banal comme tous les dos, est - je le soupçonne au départ et le confirme après - Russe. Elle doit être sensible à ses arguments, elle devrait, mais ne le montre pas trop. Il parle très fort, elle répond d'une voix très mince, très basse, inaudible.

Numa outra mesa um casal de maricas fala, olhos nos olhos, numa interacção não-verbal digna de manual: ambos sentados obliquamente em relação à mesa, as linhas dos ombros paralelas, as faces viradas para o mesmo lado (um olha para a esquerda, o outro para a direita). Braços simétricos, o esquerdo sobre a mesa, o direito erguido, com um cigarro na extremidade. Tudo é simétrico neles, menos as faces, que olham na mesma direcção. O meu vizinho muda, outra vez, para a geopolítica.

La décoration do Petit Baigneur est nettement meilleure que celle du Cana'Bar; pour la raison simple et irréfutable que celui-ci n'en a pas.

Sinto-me num filme francês: um restaurante popular, com russas, homens em pleno engate público, maricas e, num canto, um velho que rabisca furiosamente num calepin Clairefontaine 9 x 14 cm, 192 pág.

Por vezes, gostaria de deixar de ouvir o meu vizinho. S'il veut draguer, ne pourrait-il pas se limiter à sa table? Il fait des digressions et des digressions et des digressions, mais revient, régulièrement, à ce qu'il croît être ses points forts: la deuxième guerre mondiale (c’est-à-dire, son grand-père) et la géopolitique. Il a peut-être raison, mas o envolvimento corporal da jovem senhora não o mostra: ela continua reticente.

Uma das mesas levanta-se, e vejo de repente uma mulher que ainda não tinha visto. Faz-me imediatamente pensar na Christine L. Isto não é um restaurante, é uma tranche de vie. A empregada, descubro agora, é portuguesa. No Cana'Bar é, claramente, de origem africana (sorry for the jeu de mots dégueu).

Tranches de vie, ou Comparaison n'est pas raison. Só poderei ajuizar definitivamente depois de ver a conta do Petit Baigneur. Vejamos: a empregada está a milhas (para baixo. É impossível, de qualquer forma, estar a milhas para cima). A cozinha é equivalente. Não há casais de amantes, e as mulheres não são tão bonitas. A decoração é melhor. Os preços iguais. Resultado: um dia um, um dia outro.

Merde, j'ai raté le visage de la voisine, qui s'est levée pour aller aux toilettes. Son engagement corporal a nettement, radicalement, changé. Le gars, sa géopolitique à la mormoilleneux et son histoire de famille à dormir debout ont gagné. Je suis heureux pour lui.

Case study: y a-t-il eu une relation entre la visite aux toilettes et le changement de disposition? (demander à S.)

O dia começa finalmente a dissolver-se no vinho e na Mirabelle; hoje começa finalmente a dissolver-se no amanhã. E o amanhã é bonito. Parece-se cada vez mais com o futuro que estou a construir há meia-dúzia de passados, com o cuidado de um pedreiro desajeitado e inábil, mas perseverante.

O vizinho ganhou. A atitude corporal da rapariga mudou, e o resto também. Parabéns! Tenho doces lembranças de raparigas russas. Uma ligeira ponta de inveja, muito ligeira, aparece. Je l'écarte immédiatement. Não sou invejoso, nunca fui e nunca o serei.


Zagou - Bar-Restaurant du Voyage, 58 rue Daguerre, 75014

O termo viagem, apercebo-me agora, é feminino em português e masculino em espanhol, francês e italiano (talvez em alemão também, mas o meu alemão, que nunca passou do estágio de recém-nascido, é agora uma espécie em vias de extinção). O Zagou tem uma música simpática e um cocktail (Singapore Sling) assim assim.

La Belière, 74 rue Daguerre

A rue Daguerre é uma das minhas favoritas neste Paris de agora. La Belière apresenta-se como um bar de jazz. Uma rapariga, de chapéu e sobretudo pretos, passa por mim. Adoro bruxas, mesmo que sejam jovens e bonitas. O jazz é uma merda (Beatles e Eric Clapton), mas a Piña Colada é sublime.

Let's, my dear me, go to bed.

Seja Deus louvado.

6.7.05

Restaurante Familiar

O Restaurante Familiar Cana'bar fica perto da estação de Montparnasse e é isso mesmo: um restaurante familiar. As mesas têm toalhas encarnadas aos quadradinhos de plástico, a empregada tem um daqueles traseiros pelos quais montanhas se movem, cabeças se perdem e casamentos se desfazem - e fariam a seguir, se para aí ela estivesse voltada; - a que se junta, para mais, um par de seios de iguais propiedades; a pele é negra, tão negra que o espelho não a reflecte, o sorriso bonito e o olhar franco.

A comida é boa e barata, o vinho medíocre e barato, e o serviço - desempenhado com esmero pela dita empregada é - como dizer? fabuloso? Em vez de andar parece que rola sobre duas esferas perfeitas, equilibradas um pouco mais acima e do outro lado do corpo por outras duas perfeitas esferas. O conjunto é de uma harmonia indescrítivel, e potente, muito potente.

2.7.05

Os conselhos do Dr. Meio-Vivo

I - DESGOSTOS DE AMOR

Entre os 15 e os 25, e a partir dos 45 anos, é infelizmente frequente termos que lidar com desgostos de amor (entre os 25 e os 45 não os há: só há relações que se terminam, ou que não funcionam, ou casamentos que se desfazem). Refiro-me, claro, àqueles desgostos de amor "estruturantes", "definidores" - os que definem, ou você pensa que definem - a sua vida futura.

Se tem entre 15 e 25 anos, o remédio é simples: uma ou duas garrafas de um álcool qualquer, um livro do Eugénio de Andrade para se aperceber bem de tudo o que acaba de perder, e um fim de semana em casa, "longe de tudo". Experimente e vai ver que passa.

Se, em contrapartida, a ou o leitor amável tem mais de 45 anos, o caso é mais difícil e mais caro, mais penoso e mais demorado. O meu conselho, baseado em inúmeras experiências, é: um avião para uma cidade francesa - pode mesmo ser Paris, por exemplo - um restaurante sublime (L'Opportun, Bld. Quinet 62, Paris XIV, serve perfeitamente). Deve encomendar-se um bom prato - por exemplo, Épaule d'Agneau en Papillote - acompanhá-lo por um bom vinho (para o borrego, gosto de Brouilly). Esta combinação - avião, restaurante e vinho - leva-nos, inexoravelmente, para longe de tudo. E faz-nos pedir, implorar, muitos desgostos amorosos, muitos, um por dia no mínimo.

A fase seguinte do tratamento consiste em transformar uma mera experiência sensorial numa experiência teológica. E para isso há que encomendar queijos - St. Félicien, Camembert, um queijo de cabra em cinza, por exemplo. São raros, muito raros, os momentos em que acredito na existência de Deus; face aos queijos do M. qualquer coisa, eleito "Meilleur Ouvrier de France", não só acredito na Sua Divina existência como penso seriamente que Ele vive em França. (A isto chamo o "Milagre Francês": você sai do seu país convencido, a justo título, que a França é um país de chatos pedantes e socialistas, presididos por um delinquente de direito comum - pelo qual eles optaram, correctamente, porque a alternativa era um atrasado mental ultra-nacionalista, negacionista e xenófobo - que ainda não se apercebeu que a Fraaaaaaança já não é a potência que em tempos foi, e ao fim de meia dúzia de horas apercebe-se que o país é sublime).


II - PROBLEMAS FINANCEIROS

A terapia acima descrita tem outra vantagem: é que transforma um desgosto de amor num problema financeiro, desviando assim a atenção para outro terreno, quiçá mais trivial mas melhor conhecido, muito melhor conhecido.

A terapia para os problemas financeiros é simples: basta lembramo-nos da existência dos hamburguers do MacDo, da sanduicheria ao lado, dos Hot Dogs; esquecer rum, whisky, cocktails e charutos Montecristo nº 4 (a perfeita combinação de tamanho e gosto) e pensar que milhões de pessoas em todo o mundo bebem cerveja; e lembrarmo-nos que a leitura é um passatempo enriquecedor, neste caso duplamente enriquecedor.


III - PROBLEMAS DE PESO

Na próxima lição trataremos dos problemas de peso induzidos por esta terapia.

15.4.05

Serviço Público / Restaurantes (Paris)

(Ou: a Paris dos parisienses)

Le Beau Violet - minúsculo restaurante corso, onde se come deliciosamente bem - 92, rue des Entrepreneurs, 75015 - 01 45 78 93 44;

Cana'bar - uma pequena tasca adorável, barata, perto dos teatros de Montparnasse - 22, rue Raymond Losserand, 75014 - 01 43 22 92 15;

Le Ciel de Paris - Tour Maine Montparnasse, 33 avenue du Maine, 75015 - "barato" não é exactamente o qualificativo para este restaurante (onde crítica avisada diz que se come muito bem) - mas que tem a melhor vista de Paris, disso não há dúvidas. No 56º (ou 59º?) andar de um dos prédios mais altos da cidade - 01 40 64 77 64;

Restaurant Créole - Armelle et Henry - Cozinha das Antilhas Francesas e da Guiana - 3, rue Audran (métro Blanche ou Abbesses), 75018 - 01 42 52 36 97;

Brasserie du Commerce - rue du Commerce (não tenho números), 75015 - uma grande e bonita "brasserie" típica, onde se come bem num quadro bonito.

Bar "Le Baroudeur" - não é bem um restaurante, mas é em Paris..., mais precisamente na praça das Abbesses. Qualquer bar com esse nome beneficia de um preconceito favorável, mas este merece-o - ou melhor, confirma-o - inteiramente. 01 46 06 00 79