13.3.04

Os malefícios do vinho e as ruas de Maputo

A saga continua: ontem fui para os copos - por qualquer razão o meu relógio enológico anda adiantado e saio às quintas em vez das sextas, como toda a gente - e hoje escorreguei, pela primeiríssima vez na vida, na banheira enquanto tomava o duche de Julho. A mão direita foi direitinha ao suporte do chuveiro e fiquei com um lindo golpe mesmo na base do polegar direito. Já merecia um ponto ou dois, mas deixei-o ficar assim para aprender.

Devo dizer que foi uma noite bonita, com um excelente grupo de batuque no Gil Vicente e uma garrafa de whisky que, devido a um ou mais buracos se esvaziou assim que se abriu.

Mas o mais giro são as ruas de Maputo. Graças às eleições que se avizinham, o Conselho Executivo (Câmara Municipal) resolveu alcatroar as ruas da cidade. Allah U Aqbar. E assim foi. África estando há séculos na época digital, zero ou um, fecharam avenidas inteiras. Uma pessoa sai do Polana para ir para a 24 de Julho e dá por ela na baixa, porque fecharam a Julius Nyerere (António Enes) toda. Mas África sendo África e tendo um avanço sobre todos os outros continentes no que respeita à hidráulica, fluidos e quejandos, a coisa resolveu-se num instante. E é portanto frequente verem-se carros com as fitas encarnadas e brancas usadas para fechar as ruas pegadas à grelha do radiador... Uma parte do tráfico faz-se pelas ruas que estão fechadas ao trânsito e outra pelas metades de sentido contrário das avenidas. Tudo isto sem confusão, sob o olhar plácido dos polícias, operários e dos outros condutores. Nos pontos de junção, os diferentes fluidos de tráfico juntam-se sem problemas, nem buzinadelas, nem acidentes. É como a água, corre sempre pelo sítio mais fácil, contorna os obstáculos e vai-os usando sem usar da força, por simples fricção. Que bonito!

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.