Sou fraco turista. Interesso-me pouco pela superfície das coisas (dos corpos também, mas isso fica para outro depois) e mais por o que lhe fica por baixo - ou por cima, no caso dos corpos. Hoje, por razões várias vim a Barcelos e estou a turistar. Isto é, turistar a sério: um grande momento num café na praça, um curto passeio por essa mesma praça e - imagine-se - até subi à torre que está na praça. Há sítios nos quais nos sentimos imediatamente bem e esta praça é um desses. Fiz fotografias da igreja no meio da praça, de um prédio em ruínas que acho uma vergonha (estas ruínas são um desafio ao meu liberalismo) e agora regresso ao mesmo café para mais um café e outras coisas, entre as quais se incluem a temperatura amena, o sol, as crianças a brincar, a ideia de que a terra tem quase tantas surpresas como o mar. Uma delas sendo que sei ler o mar mas não sei ler a terra e sinto falta disso.
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A livraria está fechada (a outra. Não a Bertrand). O meu turistar vai incompleto mas com uma pequena satisfação: pouco a pouco, surpreendentemente, começo a gostar de lojas que fecham ao sábado à tarde, que fecham para o almoço, que fecham quando querem. Não perguntem. Não sei quanto tempo estes desvios à linha justa vão durar. (No mar não há sábados, domingos ou horas de refeições. Deve ser por isso.)
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Conheço melhor La Linea ou Belém do Pará do que Barcelos, coisa que por vezes me irrita e me desagrada sempre. (Substituir La Linea ou Belém por algumas dezenas de sítios e Barcelos também.)