Dia vinte e nove de Novembro é a data das próximas votações federais (e em Genebra cantonais). Deixemos estas últimas para outras núpcias. Há quatro assuntos a votos federais. Um já aqui foi mencionado: trata-se de proibir os fogos de artifício - com algumas excepções - para não assustar os animais. Não tenho seguido os debates mas intuitivamente diria que é pouco provável que passe. Outro, mais entusiasmante, tem a ver com a introdução de um décimo terceiro mês nas reformas. Para a pagar, o governo federal propõe um aumento de zero vírgula quatro por cento no IVA (com excepção dos bens de primeira necessidade, que ficam inalterados). Como há uma subida de impostos o referendo é obrigatório e como recebo uma pequena reforma suíça gostaria muito que o bom povo helvético aceitasse. Há porém muitas oposições. Se isto fosse um totobola meteria X. As duas outras interessam-me menos: acabar com uma norma fiscal que penaliza os casais casados e beneficia os casais não casados e modificar a legislação sobre exportações e revenda do material de guerra fabricado na Suíça. O governo federal recomenda que o povo aceite dois temas (o aumento do IVA e a lei sobre o material de guerra) e vote não aos outros dois mas o bom povo nem sempre segue as recomendações dos seus governantes. Estes, coitados, têm de governar em função das escolhas populares e não daquilo que pensam ou desejam.
Isto dito, o "soberano", como aqui é conhecida a vontade popular, por vezes engana-se. Menos, contudo, do que os políticos.
Nota: quem quiser aprofundar estes temas e ver como funciona a democracia directa pode ir a https://www.admin.ch/en/popular-vote-on-29-november-2026.
PS - Pelo que percebi ao fazer as consultas para escrever este post, que não foram exaustivas, o décimo terceiro mês já foi aceite e será pago já a partir deste ano. O que está em causa agora é o financiamento. Só me resta esperar que faça parte dos beneficiados. E que o referendo passe, para que o sistema de pensões suíço aguente mais uns anitos.