25.4.26
Diário de Bordos - Braga, Minho, Portugal, 25-04-2026
24.4.26
Outra breve nota sobre harmonias
Como é do conhecimento geral, as pessoas que estão com o período não devem fazer maioneses ou bechameis. Isto aplica-se tanto a mulheres como a homens, que as regras são para todos. Pois eu hoje desafiei-as, as regras e fiz uma béchamel. Daqui a pouco terei o veredicto. As últimas maioneses têm falhado. Não gostam de desafios. A ver se a béchamel também é bégueule.
E não pus o avental encarnado. Talvez venha daí a asneira. A ausência de harmonia leva inevitavelmente ao desastre. A ver. Antecipações só depois de o jantar estar no prato.
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Para além da escolha do avental, a preparação de uma refeição - todas as refeições são de cerimónia, relembro, mesmo ou sobretudo as solitárias - exige um cuidado especial na escolha da bebida que vai acompanhar a cozinha. Para mim, só há duas adequadas: a cerveja e o vinho tinto. O vermute exige atenção, o gin tónico conversa e o vinho branco companhia. Restam as duas supra-mencionadas.
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Para terminar esta série, que na verdade não teria fim, fosse eu um rapazinho sério:
A lavagem da loiça fez-se (o uso do passivo é propositado) ao som do Fado Bailado, de Rão Kiao. Digo-o contrito: é o único disco de fado que sou capaz de ouvir do princípio ao fim e recomeçar. A béchamel não ficou como eu queria mas tão pouco ficou do avesso, como tantas vezes me acontece quando tenho as hormonas arrepiadas. A loiça está lavada e maioritariamente seca e arrumada. A primeira parte da noite esvai-se tranquilamente, espécie de pequena hemorragia do dia; é este que se esvai, gota a gota. Não é a noite. Essa começa agora.
23.4.26
Harmonias, aventais
Devido a uma simples questão de harmonias, é essencial escolher o avental com o qual se vai cozinhar. Uso o plural propositadamente: são duas as harmonias às quais é necessário estar atento. A interna e a externa. O avental deve acordar-se com o menu e com o nosso estado de espírito (e excepcionalmente com os convidados, se os há e se corre o risco de eles chegarem quando ainda estamos a cozinhar - no meu caso, sempre: só tiro o avental quando vou para a mesa). O avental na cozinha é uma peça de roupa tão importante como a roupa do dia e combiná-lo com o que o envolve - ou, mais importante, ele envolve - é tão importante como combinar a cor das meias com a camisa (ou com a gravata) ou os sapatos com o cinto. Tal como a ninguém passa pela cabeça ir trabalhar para um escritório de mocassins castanhos ou de camisa havaiana, ninguém pensaria pôr o avental encarnado para fazer um jantar de cerimónia (refiro-me ao meu avental encarnado, o mais feio dos que tenho. Tudo isto é muito pessoal. Mas não esperem confidências. O DV não é um confessionário). Todos os meus jantares são de cerimónia, de passagem se diga, esteja sozinho ou acompanhado e por isso o meu avental por defeito é o chic, o da Zara, que não tem atilhos. Quando vai para lavar... Bom, pouco importa. Fica a nota. Hoje pus o encarnado. É o que mais raramente ponho, apesar de ultimamente o ter usado de vez em quando. Espero vivamente que tenha de ir para lavar e eu não precise dele por muito tempo.
22.4.26
Equilíbrios indefinidos
Comi demais e não bebi o suficiente para acompanhar tanta comida. É importante equilibrar o que se come e o que se bebe. Como amar e ser amado, outro equilíbrio importante e por vezes difícil de se conseguir. Durante muitos anos acreditei numa coisa que li em adolescente: "em todas as relações há um que ama e outro que se deixa amar". Hoje não amo, não sou amado e sei que aquilo não é verdade. Ou melhor: não é sempre verdade. Às vezes é mas não o é em todas as relações.
Pior: às vezes é verdade mesmo quando não há uma relação.
Outro equilíbrio instável é aquele de amar-se alguém "até que a morte nos separe". Conheço muitos casos em que foi a vida a separar-nos. Ou as vidas, mais exactemente, a dela e a dele. Aposto que só as mortes de cada um lhes permitirão unir-se, coisa que as vidas não deixaram.
Na verdade, há mais desequilíbrios do que o contrário, como de resto muito bem comprova o dia de hoje. Deveria ou ter comido menos ou ter bebido mais.
Ou ter amado menos e ser mais amado?
21.4.26
Receita: frango recheado com alheira, ordem, desordem, Patxi Andion et al.
Cont.
Palavras: espero (fragmento)
Se as palavras fossem flores, ou bombons, oferecer-te-ia um ramo delas, uma caixa. Mas não são. São palavras, só. Não lhes podes tocar, não as podes comer e só as podes ver se eu tas escrever como faço agora, que não te posso ver e muito menos tocar. Posso lembrar-me de ti como o papel, um dia, se lembrará delas, destas palavras que um dia lerás e no outro esquecerás, provavelmente, porque é esse o destino das palavras: serem esquecidas.
Enfim, nem todas. Algumas ficam. Como este beijo que aqui digo e escrevo e te envio e te chegará, um dia e em ti ficará muitos outros.
Espero.
19.4.26
Ombros
"Agarra-te aos ombros", digo a mim próprio. Obedeço: mão direita no ombro esquerdo, esquerda no direito e aperto com força, puxo-me para baixo. Nada mexe, claro, mas a energia aconchega-me e aquece-me. Nunca tive a quem me agarrar senão a mim? Outros ombros? Tive. Mas estes são os únicos que andam sempre comigo. Não me largam. E não vão para baixo.
Diário de Bordos - Vilarelho, Caminha, Alto Minho, Portugal,
Arre! Estou farto do frio e de gente com certezas. Para quando o calor? E: quando me tocará a mim ter uma certeza, uma só que seja, não importa sobre o quê?
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Acabo de tomar uma decisão agoniante mas a agonia prolonga-se. Foi uma batalha entre a intuição e a certeza: a intuição dizia-me que aquilo ia correr mal e a certeza confirma-me que agora não estou melhor. Ou seja: volto ao ponto de partida. Não é para isso que servem as decisões.
Mas talvez seja esse o objectivo da intuição, não é? Se não fosse, teria outro nome. Certeza, por exemplo.
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Tento olhar para a situação pelo lado bom: vou ter frio mais uns tempos.
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(Cont.?)
17.4.26
"Voo cego a nada"
Se a Terra fosse um enorme ringue de patinagem e as palavras fossem os traços que os patins deixam no gelo - que seriam os gestos, os arabescos que os patinadores traçam no ar e se não forem filmados só existirão enquanto houver memória?
Nada. Os rastos dos patins é que contam. Enquanto houver gelo, claro.
Ouvir ou ver
Procura palavras como os coleccionadores de conchas as procuram na praia mas gosta delas - palavras - menos retorcidas. Pelo menos à vista, que mesmo as mais simples escondem mais pregas do que o ventre de uma senhora gorda. Basta ouvi-las com olhos de ver, passe o trocadilho que não o é tanto quanto parece porque os olhos também ouvem, quando querem e os deixam.
Somatizar, história curta sobre os benefícios comparados do gesto e da palavra
Somatizo mortalmente, dizia o doente na cama do hospital a quem de direito. Quem de direito não o ouvia: tinha mais que fazer do que ouvir pacientes dizer banalidades básicas. Alguém somatiza à vida? Alguém se sente menos morto ou menos vivo ou menos desmaiado ou menos assim-assim só porque meia dúzia de neurónios decidem mandar passear as suas preocupações? Ninguém, claro. Antonella, uma enfermeira italiana que um amor deslocalizado atraiu ao nosso país ouviu o senhor mas não percebeu bem o que ele dizia. Aproximou-se e debruçou-se; os seios - tinha-os grandes (e rijos porque era jovem) - tocaram a testa do homem - ateu, velho, via mal. Confundiu a enfermeira com Deus, o verdadeiro mas como delirava não pensou que o Senhor não tem mamas. Quem as tem são as deusas, esclareço não vá o leitor equivocar-se. Todas? Não. Só algumas. As que as partilham. As que as não guardam só para elas ou para o homem que amam. As que tocam com elas na testa de um homem doente, mesmo que involuntariamente. As que são suficientemente nobres para repetir o toque quando se apercebem do seu efeito positivo no doente. As que trazem às vagas da minha memória os momentos em que são fui tocado por essas, sim, deusas. O paciente delira menos, pacificado pelo efeito conjunto de um par de mamas na testa, uma cabeleira loira a preencher-lhe o campo visual e uns lábios que lhe dizem "calma, calma". O homem acalma-se, devido ao efeito do calor de um corpo junto ao dele, um cobertor de cabelos loiros, uma voz de que ouve o som mas não percebe a fala.
É o que se faz que conta, não o que se diz.
Serviço público - Restaurantes, cafés, etc. em Caminha
Quando se pesquisa no Google Maps «restaurantes Caminha» o sítio que aparece com a pontuação mais elevada chama-se Trincaria. Já cá tinha vindo duas ou três vezes para tentar perceber porquê. Hoje, finalmente, descobri: a Trincaria não é nem para tesos nem para deslocados no tempo. É para quem gosta de comida saudável - isto é, cara e sem interesse (a priori. Já lá vamos) - para quem bebe cerveja sem glúten ou sem álcool, para quem não bebe vinho tinto a copo - só têm meias garrafas e ainda por cima desse insuportável Tiago Cabaço - e para quem gosta de ambientes e decorações iguais à comida: saudáveis, assépticos e «modernos» (entre aspas porque é irónico). Tem algumas vantagens? Tem. O serviço é atencioso e sorridente (duas qualidades pouco vulgares por estas bandas, pelo menos nos primórdios. Depois muda e muito e bem). Hoje comi uma tosta que estava boa, sem dúvida. Também por aquele preço - mais do que um prato do dia em muitos sítios - melhor seria se não estivesse. Só pergunto é que espécie de talento é necessário para se fazer uma boa tosta? Basta saber soletrar abacate, suponho. A música também é decente apesar de ser daquelas listas da Spotify com anúncios, coisa que me irrita ao mais alto ponto.
Bom, vamos resumir: está sempre cheio de estrangeiros, o que explica a atracção por comida «saudável» e «moderna» (ditto) e a indiferença aos preços.
PS - Também é padaria. Idem ibidem.
14.4.26
Diário de Bordos - Lisboa, 14-04-2023
O comboio desfila pela paisagem, sem que se tenha de carregar no acelerador ou falar com o vizinho. Em contrapartida, não se pode cantar «Senhor chauffeur, por favor, ponha o pé no acelerador.»
13.4.26
Diário de Bordos - Lisboa, 13-04-2026
Toda a gente sabe; quem não, aprenda: a melhor maneira de percorrer Lisboa é de bicicleta; a seguir, vem a marcha. Depois vêm os outros meios de transporte todos: metro, táxi e autocarro. Por fim, finalmente, essa forma moderna do táxi que são os Uber e quejandos.
O problema destes métodos todos - insisto: todos - é que exigem uma planificação da resistência às múltiplas tentações que nos saltam ao caminho e nos assaltam os sentidos todos mai-las memórias. O viajante avisado começa por fazer a opção de base: comer sentado a uma mesa ou depenicar aqui e ali? A escolha certa é: os dois. Exige, é certo, mais atenção. O quê e onde petiscar e almoçar? Consoante a zona da cidade aonde se está. Hoje, por exemplo, comi um pastel de massa tenra no Frutalmeidas acompanhado por dois sumos de não sei quê chegados directamente do paraíso a que se seguiram dois Piratas no Pirata (apanharam decerto o mesmo autocarro do que os sumos). Passo alguns pormenores para não empanturrar o leitor e acabo a almoçar uma gloriosa feijoada no Moisés. Algo me diz - mas não tenho a certeza de estar a ouvir bem - que daqui irei à Versailles beber um café e comer um pastel de nata. Lisboa é isto: uma maçada. Apodei a feijoada de gloriosa porque não quero usar "divino": estou em dia de monoteísmos e Deus há só um, Lisboa e mais nenhum. O Moisés sendo, naturalmente, um dos seus apóstolos, digam as escrituras o que disserem. E a Versailles. E o Frutalmeidas. E centenas de outros: Lisboa é um deus pródigo e tem centenas - se não mesmo milhares - de locais de culto. Já comprei café na Cafélia, é importante mencionar isto agora que estou à frente da casa Pérola do Chaimite, aonde durante muitos anos me forneci. Mas a Cafélia tem Maragogipe e contra factos não há argumentos. Para além de que são muito mais simpáticos do que o senhor Tavares. Mas bom, este é um argumento secundário. A simpatia só sobe a primeiro plano quando o produto não está lá, como acontece com o senhor da loja de bicicletas de Caminha.
Próxima paragem: Versailles. A vantagem de Lisboa sobre a Via Dolorosa é que esta só tem catorze estações.
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A parte feminina da clientela da Versailles - aproximadamente metade - vai bastante bem com o estabelecimento em si. Não estou com isto a chamar velhinhas às senhoras que tão generosamente enchem a casa de beleza. Longe de mim tal grosseria e sobretudo tal falsidade. Estou simplesmente a dizer que as senhoras são bonitas, elegantes, têm classe e savoir-faire. O que, reconheçamos, é uma mistura bastante agradável de qualidades.
As minhas escolhas não são exclusivas. No Moisés estava um senhor, personagem da televisão e da cultura nacionais. Pois acaba de entrar na pastelaria e está agora acompanhado por uma outra personagem da cultura, da televisão e da poesia nacionais, de resto seu colega num dos programas de televisão. Vamos ver se os outros dois membros do painel se juntam. Se o Eduardo Pitta aqui estivesse ficaria composto um belo ramalhete de personalidades da cultura.
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Saio da Versailles e retomo o meu deambular pela cidade. Parte a pé e parte de táxi chego a Campo de Ourique, aonde decido fazer uma pausa bloguística. Agora só me resta esperar pela hora de jantar e depois de ir para a cama. Amanhã vou buscar a bicicleta e vou almoçar com o V. Estar em Lisboa de férias é um encanto.
(Cont.)
Casos, acasos
Tive um caso com o acaso e quis o acaso que eu não seja de fazer caso aos meus casos. Por isso multipliquei os meus casos e os meus acasos e por acaso agora encontro-me sem casos nem acasos. Pura sorte, claro. Ninguém gosta de acasos.
12.4.26
Diário de Bordos - Sevilha, Espanha, Vila Real de Sto. António, Portugal, 12-04-2026
Mar, Espanha, Mediterrâneo, viagem, hotéis baratos, tascas em Sevilha e restaurantes bons numa praia é uma combinação à qual é difícil resistir e da qual não nos devemos arrepender, qualquer que seja o resultado da mistura. Escrevo no bar Zafiro, uma das poucas coisas abertas perto da Plaza de Armas aonde uma senhora me virá buscar para me levar o mais perto possível de Vila Real de Santo António. A plataforma Blablacar substitui muito vantajosamente o polegar no ar à beira da estrada: agora reservam-se as boleias com antecedência. As fraudes são raras, a companhia nas viagens oscila entre o irrelevante e o seu pólo oposto, e - sobretudo - permite-nos esperar nos bares Zafiro deste mundo em vez de nas bermas das estradas deste mesmo mundo.
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Vila Real de Santo António
Resumindo:
Caminha - Porto : carro, à boleia da L.;
Porto - Sevilha : avião;
Sevilha - La Herradura - Sevilha : carro de aluguer, com dois passageiros Blablacar à ida e sozinho à vinda;
Sevilha APT - Hostal Sierpes : táxi;
Hostal Sierpes - Plaza de Armas : a pé;
Sevilha - Lepe : Carro, Blablacar;
Lepe - Ayamonte : táxi;
Ayamonte - Vila Real de Santo António : ferry;
VRSA - Lisboa : comboio;
Lisboa - Caminha : comboio.
E ainda há quem prefira o avião.
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Pequena nota àparte (ou à parte, para quem como pensa que esta é a forma correcta. M. M.?) O vinho da casa do restaurante aonde almoço, em Vila Real de Santo António, é o qualquer coisa do Marvão. Não retive o nome, apesar de tudo o que for vinho e tiver Marvão no nome me interessar bastante. Para substituir o ausente, a senhora propõe-me Herdade da Bombeira. Encomendo um jarro.
- Só temos garrafas.
- E quanto custa a garrafa?
- Quinze euros... Não, espere um minuto, por favor. Doze euros e cinquenta cêntimos.
Herdade da Bombeira 2023 num restaurante a doze euros e cinquenta cêntimos? Meus caros, isto existe. Penso na maravilhosa viagem que vou fazee até Lisboa, pergunto-me como conseguirei ficar com o copo (nos comboios só há aquelas abomináveis coisas em papel), pergunto-me que espécie de milagre me trouxe a este restaurante - são dois: é dominngo e está perto da estação dos comboios - e, sobretudo, pergunto-me o que anda o nosso legislador a fazer?
Isto é. Quero dizer. Penso que um bom legislador é aquele que decide tudo , mas tudo, em vez das pessoas. Desde a eutanásia até ao vinho da casa. Ou seja: o Herdade da bombeira devia fazer parte de uma lista obrigatória de vinhos da casa. Que faz o legislador quando mais precisamos dele? Cambada de inúteis...
No meu afã de ajudar em vez de me limitar a reclamar, publicarei aqui em breve uma lista de vinhos que o legislador devia tornar obrigatórios e com preços - obviamente - controlados. Para começar:
- Todos os vinhos da Quinta dos Termos;
- Os vinhos da Adega Cooperativa de Vila Real;
- Todos os vinhos da Herdade de Balanches;
- Vinhos do Tua;
- Vinhos monocasta de Baga e de Alfrocheiro.
Espero que em breve a Assembleia da República e a cambada que lá parlapateia dê a devida atenção a estes assuntos. É para isso que lhes pagamos: para se ocuparem de nós, do nosso bem estar, das nossas seguranças física e psicológica, dos aspectos importantes da nossa vida quotidiana.
De que o vinho da casa dos restaurantes que os tesos exigentes frequentam é uma componente relevante. (Apaguei a disjuntiva entre tesos e exigentes. Nada obriga um teso a aceitar tudo o que lhe põem à frente.)
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- Que sobremesas tem?
- Isto, mousse de chocolate, aquilo, aqueloutro.
- Em que supermercado compram a mousse?
- Creio que é no Recheio. Mas é muito boa. Eu gosto.
Isto não se inventa. (A mousse mereceria um suficiente menos, na antiga métrica de classificação escolar.)
- Que medronhos tem?
- Merda e merda.
- Bolas, isso não presta para nada. Não tem mais nada?
-...
-...
- Tenho um caseiro, que comprei para mim e para o meu pai. Está em minha casa, mas vou lá buscá-lo para si.
Meus amigos, repito: isto não se inventa. Experimentem um aeroporto ou um avião, para comprovar. Experimentem outro país. (O medronho merece um bom mais, na mesma métrica.)
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Esperar por um comboio é melhor do que esperar por um avião. Por curiosidade, numa cidade da fronteira diagonalmente oposta àquela aonde vivo. O país é o mesmo.
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(Já no comboio que me levará a Lisboa, também atrasado, não vá o incauto passageito pensar que se tratava de um acaso.)
A falta de profissionalismo deste país é exasperante e adorável. Basta ter presente a segunda parte da equação (e não tentar escrever no comboio).
(Cont.)