De que o Ocidente está a entrar numa fase de estupidez colectiva restam poucas dúvidas. Ele é o «amor» pelos animais, coitadinhos (aspas porque se isto é amor eu sou a mulher do Papa. O amor não é - ou não deve ser - obsessivo, simbiótico, irracional e sobretudo maléfico: vejam as pessoas que andam com cãezinhos ao colo ou em carrinhos de bebé para animais); ele é o pânico com o «CO2» (aspas porque é irónico. Se tivesse escrito «Maligno» seria a mesma coisa); ele é a «indignação» (ditto); e por aí fora.
Acontece que eu não acredito que toda a gente esteja a ficar estúpida ao mesmo tempo. O QI é uma média e a distribuição em torno do cem é uma curva de Gauss perfeita. Ou seja: só uma parte desta mudança deve ser atribuída à estupidez. A outra é certamente devida a movimentos tectónicos das placas culturais. Ao contrário do que nos ensinam na escola primária o Homem (colectivamente, claro) não é um animal racional. É um animal de mitos e símbolos que por vezes escorrega para a racionalidade.
Agora apareceu uma sub-espécie dos amigos dos animais: pensam que o mar é das orcas, não é nosso. Elas têm todo o direito de nos atacar porque nós é que estamos a invadir o território delas. Esta tese é tão mentecapta, tão idiota, tão indigente, tão imbecilóide que não vale sequer a pena perder tempo a desmontá-la. Normalmente limito-me a explicar a quem a defende que desejo que as aves não adoptem o mesmo comportamente da próxima vez que eles apanharem um avião.
Tenho de fazer um mea culpa, mea maxima culpa: intervenho por vezes para defender a ideia de que mais tarde ou mais cedo vai ser necessário matar uma orca ou duas (ou três) por puro divertimento. Gosto muito de ler as respostas - normalmente insultos - de pessoas que têm um QI igual ao dos ditos bichos, coitados - que em geral me tratam de imbecil. Eu concordo. «Somos todos o imbecil de alguém», como disse um senhor chamado Jean Dion, québécois e jornalista (do tempo em que ainda os havia). «Azar o dele.»