19.4.26
Respeito, respeitinho
17.4.26
"Voo cego a nada"
Se a Terra fosse um enorme ringue de patinagem e as palavras fossem os traços que os patins deixam no gelo - que seriam os gestos, os arabescos que os patinadores traçam no ar e se não forem filmados só existirão enquanto houver memória?
Nada. Os rastos dos patins é que contam. Enquanto houver gelo, claro.
Ouvir ou ver
Procura palavras como os coleccionadores de conchas as procuram na praia mas gosta delas - palavras - menos retorcidas. Pelo menos à vista, que mesmo as mais simples escondem mais pregas do que o ventre de uma senhora gorda. Basta ouvi-las com olhos de ver, passe o trocadilho que não o é tanto quanto parece porque os olhos também ouvem, quando querem e os deixam.
Somatizar, história curta sobre os benefícios comparados do gesto e da palavra
Somatizo mortalmente, dizia o doente na cama do hospital a quem de direito. Quem de direito não o ouvia: tinha mais que fazer do que ouvir pacientes dizer banalidades básicas. Alguém somatiza à vida? Alguém se sente menos morto ou menos vivo ou menos desmaiado ou menos assim-assim só porque meia dúzia de neurónios decidem mandar passear as suas preocupações? Ninguém, claro. Antonella, uma enfermeira italiana que um amor deslocalizado atraiu ao nosso país ouviu o senhor mas não percebeu bem o que ele dizia. Aproximou-se e debruçou-se; os seios - tinha-os grandes (e rijos porque era jovem) - tocaram a testa do homem - ateu, velho, via mal. Confundiu a enfermeira com Deus, o verdadeiro mas como delirava não pensou que o Senhor não tem mamas. Quem as tem são as deusas, esclareço não vá o leitor equivocar-se. Todas? Não. Só algumas. As que as partilham. As que as não guardam só para elas ou para o homem que amam. As que tocam com elas na testa de um homem doente, mesmo que involuntariamente. As que são suficientemente nobres para repetir o toque quando se apercebem do seu efeito positivo no doente. As que trazem às vagas da minha memória os momentos em que são fui tocado por essas, sim, deusas. O paciente delira menos, pacificado pelo efeito conjunto de um par de mamas na testa, uma cabeleira loira a preencher-lhe o campo visual e uns lábios que lhe dizem "calma, calma". O homem acalma-se, devido ao efeito do calor de um corpo junto ao dele, um cobertor de cabelos loiros, uma voz de que ouve o som mas não percebe a fala.
É o que se faz que conta, não o que se diz.
Serviço público - Restaurantes, cafés, etc. em Caminha
Quando se pesquisa no Google Maps «restaurantes Caminha» o sítio que aparece com a pontuação mais elevada chama-se Trincaria. Já cá tinha vindo duas ou três vezes para tentar perceber porquê. Hoje, finalmente, descobri: a Trincaria não é nem para tesos nem para deslocados no tempo. É para quem gosta de comida saudável - isto é, cara e sem interesse (a priori. Já lá vamos) - para quem bebe cerveja sem glúten ou sem álcool, para quem não bebe vinho tinto a copo - só têm meias garrafas e ainda por cima desse insuportável Tiago Cabaço - e para quem gosta de ambientes e decorações iguais à comida: saudáveis, assépticos e «modernos» (entre aspas porque é irónico). Tem algumas vantagens? Tem. O serviço é atencioso e sorridente (duas qualidades pouco vulgares por estas bandas, pelo menos nos primórdios. Depois muda e muito e bem). Hoje comi uma tosta que estava boa, sem dúvida. Também por aquele preço - mais do que um prato do dia em muitos sítios - melhor seria se não estivesse. Só pergunto é que espécie de talento é necessário para se fazer uma boa tosta? Basta saber soletrar abacate, suponho. A música também é decente apesar de ser daquelas listas da Spotify com anúncios, coisa que me irrita ao mais alto ponto.
Bom, vamos resumir: está sempre cheio de estrangeiros, o que explica a atracção por comida «saudável» e «moderna» (ditto) e a indiferença aos preços.
PS - Também é padaria. Idem ibidem.
14.4.26
Diário de Bordos - Lisboa, 14-04-2023
O comboio desfila pela paisagem, sem que se tenha de carregar no acelerador ou falar com o vizinho. Em contrapartida, não se pode cantar «Senhor chauffeur, por favor, ponha o pé no acelerador.»
13.4.26
Diário de Bordos - Lisboa, 13-04-2026
Toda a gente sabe; quem não, aprenda: a melhor maneira de percorrer Lisboa é de bicicleta; a seguir, vem a marcha. Depois vêm os outros meios de transporte todos: metro, táxi e autocarro. Por fim, finalmente, essa forma moderna do táxi que são os Uber e quejandos.
O problema destes métodos todos - insisto: todos - é que exigem uma planificação da resistência às múltiplas tentações que nos saltam ao caminho e nos assaltam os sentidos todos mai-las memórias. O viajante avisado começa por fazer a opção de base: comer sentado a uma mesa ou depenicar aqui e ali? A escolha certa é: os dois. Exige, é certo, mais atenção. O quê e onde petiscar e almoçar? Consoante a zona da cidade aonde se está. Hoje, por exemplo, comi um pastel de massa tenra no Frutalmeidas acompanhado por dois sumos de não sei quê chegados directamente do paraíso a que se seguiram dois Piratas no Pirata (apanharam decerto o mesmo autocarro do que os sumos). Passo alguns pormenores para não empanturrar o leitor e acabo a almoçar uma gloriosa feijoada no Moisés. Algo me diz - mas não tenho a certeza de estar a ouvir bem - que daqui irei à Versailles beber um café e comer um pastel de nata. Lisboa é isto: uma maçada. Apodei a feijoada de gloriosa porque não quero usar "divino": estou em dia de monoteísmos e Deus há só um, Lisboa e mais nenhum. O Moisés sendo, naturalmente, um dos seus apóstolos, digam as escrituras o que disserem. E a Versailles. E o Frutalmeidas. E centenas de outros: Lisboa é um deus pródigo e tem centenas - se não mesmo milhares - de locais de culto. Já comprei café na Cafélia, é importante mencionar isto agora que estou à frente da casa Pérola do Chaimite, aonde durante muitos anos me forneci. Mas a Cafélia tem Maragogipe e contra factos não há argumentos. Para além de que são muito mais simpáticos do que o senhor Tavares. Mas bom, este é um argumento secundário. A simpatia só sobe a primeiro plano quando o produto não está lá, como acontece com o senhor da loja de bicicletas de Caminha.
Próxima paragem: Versailles. A vantagem de Lisboa sobre a Via Dolorosa é que esta só tem catorze estações.
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A parte feminina da clientela da Versailles - aproximadamente metade - vai bastante bem com o estabelecimento em si. Não estou com isto a chamar velhinhas às senhoras que tão generosamente enchem a casa de beleza. Longe de mim tal grosseria e sobretudo tal falsidade. Estou simplesmente a dizer que as senhoras são bonitas, elegantes, têm classe e savoir-faire. O que, reconheçamos, é uma mistura bastante agradável de qualidades.
As minhas escolhas não são exclusivas. No Moisés estava um senhor, personagem da televisão e da cultura nacionais. Pois acaba de entrar na pastelaria e está agora acompanhado por uma outra personagem da cultura, da televisão e da poesia nacionais, de resto seu colega num dos programas de televisão. Vamos ver se os outros dois membros do painel se juntam. Se o Eduardo Pitta aqui estivesse ficaria composto um belo ramalhete de personalidades da cultura.
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Saio da Versailles e retomo o meu deambular pela cidade. Parte a pé e parte de táxi chego a Campo de Ourique, aonde decido fazer uma pausa bloguística. Agora só me resta esperar pela hora de jantar e depois de ir para a cama. Amanhã vou buscar a bicicleta e vou almoçar com o V. Estar em Lisboa de férias é um encanto.
(Cont.)
Casos, acasos
Tive um caso com o acaso e quis o acaso que eu não seja de fazer caso aos meus casos. Por isso multipliquei os meus casos e os meus acasos e por acaso agora encontro-me sem casos nem acasos. Pura sorte, claro. Ninguém gosta de acasos.
12.4.26
Diário de Bordos - Sevilha, Espanha, Vila Real de Sto. António, Portugal, 12-04-2026
Mar, Espanha, Mediterrâneo, viagem, hotéis baratos, tascas em Sevilha e restaurantes bons numa praia é uma combinação à qual é difícil resistir e da qual não nos devemos arrepender, qualquer que seja o resultado da mistura. Escrevo no bar Zafiro, uma das poucas coisas abertas perto da Plaza de Armas aonde uma senhora me virá buscar para me levar o mais perto possível de Vila Real de Santo António. A plataforma Blablacar substitui muito vantajosamente o polegar no ar à beira da estrada: agora reservam-se as boleias com antecedência. As fraudes são raras, a companhia nas viagens oscila entre o irrelevante e o seu pólo oposto, e - sobretudo - permite-nos esperar nos bares Zafiro deste mundo em vez de nas bermas das estradas deste mesmo mundo.
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Vila Real de Santo António
Resumindo:
Caminha - Porto : carro, à boleia da L.;
Porto - Sevilha : avião;
Sevilha - La Herradura - Sevilha : carro de aluguer, com dois passageiros Blablacar à ida e sozinho à vinda;
Sevilha APT - Hostal Sierpes : táxi;
Hostal Sierpes - Plaza de Armas : a pé;
Sevilha - Lepe : Carro, Blablacar;
Lepe - Ayamonte : táxi;
Ayamonte - Vila Real de Santo António : ferry;
VRSA - Lisboa : comboio;
Lisboa - Caminha : comboio.
E ainda há quem prefira o avião.
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Pequena nota àparte (ou à parte, para quem como pensa que esta é a forma correcta. M. M.?) O vinho da casa do restaurante aonde almoço, em Vila Real de Santo António, é o qualquer coisa do Marvão. Não retive o nome, apesar de tudo o que for vinho e tiver Marvão no nome me interessar bastante. Para substituir o ausente, a senhora propõe-me Herdade da Bombeira. Encomendo um jarro.
- Só temos garrafas.
- E quanto custa a garrafa?
- Quinze euros... Não, espere um minuto, por favor. Doze euros e cinquenta cêntimos.
Herdade da Bombeira 2023 num restaurante a doze euros e cinquenta cêntimos? Meus caros, isto existe. Penso na maravilhosa viagem que vou fazee até Lisboa, pergunto-me como conseguirei ficar com o copo (nos comboios só há aquelas abomináveis coisas em papel), pergunto-me que espécie de milagre me trouxe a este restaurante - são dois: é dominngo e está perto da estação dos comboios - e, sobretudo, pergunto-me o que anda o nosso legislador a fazer?
Isto é. Quero dizer. Penso que um bom legislador é aquele que decide tudo , mas tudo, em vez das pessoas. Desde a eutanásia até ao vinho da casa. Ou seja: o Herdade da bombeira devia fazer parte de uma lista obrigatória de vinhos da casa. Que faz o legislador quando mais precisamos dele? Cambada de inúteis...
No meu afã de ajudar em vez de me limitar a reclamar, publicarei aqui em breve uma lista de vinhos que o legislador devia tornar obrigatórios e com preços - obviamente - controlados. Para começar:
- Todos os vinhos da Quinta dos Termos;
- Os vinhos da Adega Cooperativa de Vila Real;
- Todos os vinhos da Herdade de Balanches;
- Vinhos do Tua;
- Vinhos monocasta de Baga e de Alfrocheiro.
Espero que em breve a Assembleia da República e a cambada que lá parlapateia dê a devida atenção a estes assuntos. É para isso que lhes pagamos: para se ocuparem de nós, do nosso bem estar, das nossas seguranças física e psicológica, dos aspectos importantes da nossa vida quotidiana.
De que o vinho da casa dos restaurantes que os tesos exigentes frequentam é uma componente relevante. (Apaguei a disjuntiva entre tesos e exigentes. Nada obriga um teso a aceitar tudo o que lhe põem à frente.)
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- Que sobremesas tem?
- Isto, mousse de chocolate, aquilo, aqueloutro.
- Em que supermercado compram a mousse?
- Creio que é no Recheio. Mas é muito boa. Eu gosto.
Isto não se inventa. (A mousse mereceria um suficiente menos, na antiga métrica de classificação escolar.)
- Que medronhos tem?
- Merda e merda.
- Bolas, isso não presta para nada. Não tem mais nada?
-...
-...
- Tenho um caseiro, que comprei para mim e para o meu pai. Está em minha casa, mas vou lá buscá-lo para si.
Meus amigos, repito: isto não se inventa. Experimentem um aeroporto ou um avião, para comprovar. Experimentem outro país. (O medronho merece um bom mais, na mesma métrica.)
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Esperar por um comboio é melhor do que esperar por um avião. Por curiosidade, numa cidade da fronteira diagonalmente oposta àquela aonde vivo. O país é o mesmo.
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(Já no comboio que me levará a Lisboa, também atrasado, não vá o incauto passageito pensar que se tratava de um acaso.)
A falta de profissionalismo deste país é exasperante e adorável. Basta ter presente a segunda parte da equação (e não tentar escrever no comboio).
(Cont.)
5.4.26
Casa, estereoscopia, passado
Estendo-me no passado como me estendo debaixo desta camada de cobertores; escorrego no passado como um patinador desajeitado na pista de gelo; mergulho no passado como um mergulhador cuja garrafa de ar comprimido está vazia; ando no passado como um cego que esqueceu a bengala em casa; e nele pedalo numa bicicleta com os pneus furados.
Por exemplo: deixei de gostar de doce de figo e de doce de tomate. Não sei porquê. Era tão feliz quando gostava desses doces... Hoje sou mais feliz? Não sei.
Por exemplo: quando cheguei a Portugal um das coisas que mais detestava era os cães vadios. Quando não eram vadios estavam amarrados. Na melhor das hipóteses a um grande arame, na pior a uma argola. Hoje não há cães vadios e os que estão amarrados é ao colo dos donos ou, na melhor das hipóteses, a uma trela. São mais felizes? Não sei.
4.4.26
Diário de Bordos - Vilarelho, Caminha, Alto Minho, Portugal, 04-04-2026
Mexo e remexo as fotografias. Não é sequer como baralhar e dar de novo porque as baralho - nada de rimas, por favor - e não as dou de novo, ficam aonde estavam com uma ordem ligeiramente diferente. Não sei o que fazer daquilo, é o que é. Algumas são boas, ao contrário do que sempre pensei. Talvez efeito Vivian Maier, vá lá saber-se.
Não é verdade. Algumas, uma minoria de uma minoria, sempre soube que são boas. O que nunca soube bem é definir boas. Para quê? Para quem? Porquê? Quais? As do trampolim do Locle, por exemplo; as do patinador em Plainpalais; as do Krüger; muitos dos retratos; não teria de me envergonhar delas se as mostrasse.
Comecei a publicar o blogue no dia em que decidi que pior do que os outros não seria. Ao fim de um ano ou dois tive a primeira proposta para o publicar em livro. Declinei, com uma desculpa mais desculpa do que justa. Por burrice? Por modéstia? Aposto mais na primeira: hoje vou na terceira compilação de posts e não pararei enquanto não chegar ao fim.
Na fotografia não foi assim. Primeiro, houve a história da galeria Nikon de Zurique, que me seleccionou seis diapositivos (de entre vinte, eles mesmo já seleccionados de entre algumas centenas) para uma exposição que teria lugar em breve. Infelizmente, arranjei maneira de os perder. Simplifico: na verdade, alguém os perdeu por mim. Depois houve o tipo da galeria já não sei aonde, creio que Nyon, talvez Genebra: «Reconheço um certo trabalho sobre a luz, mas não tem qualidade para uma exposição.» Aceitei sem mais.
É preciso dizer que a minha relação com a fotografia tem sido uma de amor e desamor permanentes, ambos. E que não me apetece falar dela. Gostaria simplesmente de ser um bocadinho menos como eu e um bocadinho mais como os outros. Lá chegarei, um dia: estaremos todos enterrados e não há maior similitude do que essa.
Suponho.
«Um preto e uma mulher em missão à Lua», leio num sítio qualquer. Não consigo perceber a diferença entre um preto, uma mulher e uma pessoa. Acresce que a citação não é verbatim, claro A modernidade criou a diferença entre pretos e pessoas e apagou a palavra preto do léxico. Não percebo em que é que ficámos melhor. Nós e eles, pretos.
Pastelaria Riviera: aqui não estou no Paris Texas mas sim num filme do Claude Chabrol.
Nesta última travessia tive um problema médico a bordo. Estava a três dias do porto mais próximo. Foi a conjugação do satélite e do telefone (obrigado, Elon) que me permitiu resolver a situação. Resolver é um exagero: hoje sei que a senhora não morreria do que sofria. Mas teria sofrido consideravelmente mais e eu também. Passei um dia a pensar que ia chegar a terra com um cadáver a bordo. Quando soube que não, o alívio foi considerável.
3.4.26
Quinta-feira, clientela
Impromptu ferroviário
Já o resto da viagem decorreu como o previsto, o único imprevisto sendo que o T. T. estava na estação à espera da mulher e deu-me boleia até à rua Direita. Ali, no bar Norte, carreguei o telefone, bebi um par de cervejas, chamei um táxi e esperei mais de meia hora por ele porque Caminha não é Manhattan e o senhor estava não percebi bem aonde e isto não é Manhattan nem nada que se pareça; a chegada a casa também foi como previra e pronto, agora sim, o dia acaba, coisa mais do que prevista: acaba um dia, começa outro, acaba um imprevisto e não tarda haverá outro, eu sei. Ou pelo menos espero, que isto de vidas nos carris não é para mim nem eu para elas, talvez infelizmente, sei lá.
2.4.26
Três efes confusos
Há uma confusão entre forma, fundo e função... Partilham algo mais do que a inicial? O Jaguar E-type é o carro mais bonito jamais feito, mas é o "melhor"? (Aspas porque não sei o que é o melhor automóvel. Nem o pior, de resto. Percebo pouco de automóveis.) E uma cara bonita e inteligente é mais completa do que a mesma mas burra? Qual é a função de uma cara, para além de servir de metonímia neste post? O que é o fundo de uma cara bonita (ditto)? E a função?
É um "textículo" sem fundo, sem forma e sem função, menos engraçado do que a casa sem paredes.
(Cont.)
1.4.26
Diário de Bordos - Vilarelho, Caminha, Alto Minho, Portugal, 01-04-2026
O termómetro do carro diz que estão sete graus centígrados; para a página da meteorologia, estão doze; para mim, está frio. demasiado frio. Desta vez não tive a sorte de principiante da outra e tenho uma dúzia de pessoas à minha frente na fila para o centro de saúde. Cá fora, claro, que isto de esperar num sítio aquecido não é para tesos.
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Na Riviera testo as canetas. Um parágrafo cada. Só uma está vazia.
A seguir à ponte de Cerveira para Espanha, já do lado espanhol, há uma placa a dizer «Bajo Miño». O chão de um homem é o tecto do outro. Até na geografia.