Mais meia hora de conversa com o SNS 24 e resolvo-me fazer o que pretendia antes do colóquio: vir às urgências do S. José, aonde agora estou. A espera esperada era de quatro horas e dessa ainda só passaram duas e meia. Já comi (a cantina é gerida pela Versailles, que bem melhor teria feito ficando-se pela avenida da República. Os croquetes estão uma merda), dormi uma espécie de coisa breve em forma de sesta sentado à mesa, li e agora que acordei vou beber um café. Ganho coragem para ir ver se o prazo de quatro horas, dado a título indicativo, se mantém.
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Não. Vai ser menos.
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A jovem médica que me recebe é profissional e conscenciosa. Agora foi mostrar as imagens do TAC à equipa de... não retive qual delas. Espero nesta sala - sei agora que vou ficar por aqui algumas horas, pelo que não poderei ir à Feira do Livro como tinha planeado (ainda bem. Ir ali sem dinheiro para comprar livros seria uma tortura). O SNS é como a TAP: horrível até se estar lá dentro, bastante bom depois. Também já sei que a ser operado não será aqui e sim no Egas Moniz. Também já sei que estas dores abomináveis têm o sem fim à vista.
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Vou organizar uma sessão de venda de livros e fotografias no hospital. Não para os outros pacientes, porque a julgar pelo que me lembro do Egas não será muito mais dada à leitura do que a que tenho à vista mas si para os amigos mais dados à cusquice hospitalar. Egas Moniz, Avenida da Liberdade n° 1; Hospital Egas Moniz e outras histórias de vida e de maleitas; De Passagem pelo hospital vi a praia de Barbate... tudo isto com rum, cerveja e vinho tinto à discrição. E uns choquinhos à Algarvia, já agora. Ou frango em leite de coco. Ou assim. Ou tostas de pera-abacate sem gluten, com molho de soja e açaí de tomate-cherry em leito de pistacci. Haverá de tudo menos cerveja sem álcool, que é pecado mortal.
Ah, e pedimos um show às enferneiras, não? Já não são tão bonitas como dantes mas não faz mal. São bonitas na mesma.
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Esta sala faz-me pensar no Piranesi.
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Já a minha vida só me faz pensar, sem complemento directo.