20.4.07

"A ideia da igualdade"

Em 1974 (provavelmente) descobri que havia mais Aldous Huxley do que o Brave New World: "Que todos os homens são iguais é uma proposição à qual, em tempos normais, nenhum ser humano sensato deu, alguma vez, o seu assentimento. Um homem que tem de se submeter a uma operação perigosa não age sob a presunção de que tão bom é um médico como outro qualquer. Os editores não imprimem todas as obras que lhes chegam às mãos. E quando são precisos funcionários públicos, até os governos mais democráticos fazem uma selecção cuidadosa entre os seus súbditos teoricamente iguais".

Tirando esta última observação sobre os funcionários públicos, que não se aplica, infelizmente, a Portugal, o resto da frase continua válido. Nem tudo, porém sobreviveu à passagem do tempo, em Aldous Huxley. Fica-me o formidável sopro de liberdade que representou, para mim, atulhado que vinha de Nietszche e de whisky.

"[Sobre os utópicos e as utopias]: É como se os astrónomos escrevessem livros sobre o que sucederia se não houvesse tal coisa como a gravitação e como se a Terra, consequentemente, se movesse numa linha recta e não numa elipse. Tais livros poderiam ser muito edificantes, se os seus autores começassem por demonstrar que o movimento em linha recta é melhor do que o movimento em linha curva."

Aldous Huxley, "Sobre a Democracia e Outros Estudos", col. Dois Mundos, ed. Livros do Brasil, Lisboa

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