27.4.07

Le Pigeonnier, ou: O Poder das Palavras

Lembro-me como se fosse hoje: a senhora da loja tinha um decote até ao umbigo; e por baixo, um pigeonnier extremamente bem populado, ma parole. Enquanto me atendia e preparava a minha encomenda, ela falava ao telefone, e eu fazia os possíveis por desviar os olhos daquelas duas rolas, pujantes, redondas, a quererem saltar cá para fora, a quererem voar. Esfregava os olhos, ia ao exterior fazer inspirações profundas, explorava o tecto da loja milímetro a milímetro.

Até que, subitamente - tinha os olhos tapados, não a via - oiço-a dizer "é um serviço que a senhora quer que nós fáçamos...". Assim mesmo: "fáçamos". A magia desvaneceu-se, o desânimo invadiu-me, o decote volveu à sua vulgaridade original, e o mundo com ele.

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