21.7.11

De passagem

Estou de passagem. Todos estamos, alguns metafórica outros literalmente. Faço parte deste último grupo: estou, sempre estive, de passagem, onde quer que esteja, onde quer que tenha sido. Em Lisboa ou em Cascais, em Genève ou no Marin, no mar ou no centro de África, em alguns corpos e corações, algumas memórias e mentes.

Ha sítios onde é bom estar de passagem; outros não. E momentos, também. Agora, por exemplo, custa-me estar de passagem. Há corpos, e lugares, dos quais somos residentes, sempre, onde quer que estejamos. Tu és um desses corpos, e Lisboa um desses lugares. Não saio de Lisboa, nunca; nem ela de mim. Nem de ti, ou tu de mim. Conheço-lhe os becos e conheço-te os medos, conheço-lhe a luz e conheço-te os olhos, percorro-lhe os atalhos e a ti a pele.

Estou de passagem. "On s'en fout, de toute façon on est pas d'ici. Demain on s'en va", dizia o pai de Marguerite Yourcenar. Esta frase acompanhou-me muito tempo. Agora digo: "on s'en fout, de toute façon on est d'ici. On ne partira jamais: on s'absentera, c'est tout".

Para a T., com amor.
E para a Sandra, que me ensinou o que é para sempre e lhe deu vidas. Com gratidão e reconhecimento. Para sempre.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.