11.3.12

O que é

Isto antes de mais nada. É preciso começar por dizer que. Ou as coisas se contam como foram ou não se contam. Foram vale por podiam ter sido: ou as coisas se contam como podiam ter sido ou não se contam.

E isto, minha querida, sabes como sou: aplica-se a tudo. Não me venhas cá com histórias de jantares com amigas, de massagistas com regras, de bar tenders com netos a nascer. Ficção, nada mais do que ficção. A mim interessa-me o que é, em todas as suas formas: incluindo as que poderiam ter sido.

Escrever é diminuir palavras; apagá-las. E tu não fazes mais do que acrescentar palavras. Não se deve acrescentar ruído ao ruído (mas pode acrescentar-se silêncio ao silêncio. É outra história).

Esta coisa de quereres um Bailey's, por exemplo, num café em que nem água sabem o que é. Barulho, nada mais do que barulho.

A pequena é gira? E depois, que queres que faça? O guitarrista toca bem. É bom, o puto. Ouviu Gismonti mas esqueceu-se; é puto, infelizmente. Bebe água e merdas no género. Isto é.

O café tem uma visão cancerígena das esplanadas: a deles espraia-se por tudo quanto é lado. Invade o parque de estacionamente fronteiriço, o que é bom. Infelizmente com cadeiras de plástico encarnadas. Isto é.

Vês? Podemos construir uma noite com o que é. Tu és. A noite está calma, serena. Amanhã não me apetece nada trabalhar. Há uma miúda gira mesmo por baixo da ponte. Isto é.

E se não é poderia ter sido.

O puto é bom. Não percebo nada da burguesia local. Não quero perceber, e pela primeira vez tenho pena, muita. Isto é.


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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.