12.1.19

Diário de Bordos - Lisboa, 12-01-2019

És puta peganhenta, Lisboa. Não largas um gajo nem que ele se esconda nos recônditos. Quanto mais ele foge de ti mais se te apega.

És parte dos recônditos...

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A perfeição é assim: há que procurá-la no sítio certo: nós. E estende-se. Este dia perfeito, por exemplo, começou ontem com um jantar perfeito em Sintra. Continuou depois com dois mojitos perfeitos e sem açúcar no bar mais improvável do mundo. Continuou hoje de manhã com uma crónica de Vasco Pulido Valente e dois cafés no Brick.

Desaguo, meio sem querer meio por impulso, no Caxemira. Digo ao senhor - é o mesmo há duzentos e trinta anos (trinta e quatro) - que escolha ele o que vou comer e beber, dentro dois parâmetros: tinto para o vinho, camarão ou borrego para o prato. Traz-me meia garrafa de Cabriz, uma chamuça que podia estar muito ligeiramente mais picante e um Sak Gosh perfeito.

Lisboa agarra-se a mim nos sítios mais inesperados, por muito que tente fugir-lhe. Tens a perfeição manhosa, cidade.

Velha gaiteira debochada e lúbrica, sensual e sofisticada, porca e aprumada, desleixada e ataviada, velha de séculos e nova todas as semanas.

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Deve ir-se a Lisboa como se vai às putas: de vez em quando. Antes isso do que viver com uma.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.