2.7.05

Os conselhos do Dr. Meio-Vivo

I - DESGOSTOS DE AMOR

Entre os 15 e os 25, e a partir dos 45 anos, é infelizmente frequente termos que lidar com desgostos de amor (entre os 25 e os 45 não os há: só há relações que se terminam, ou que não funcionam, ou casamentos que se desfazem). Refiro-me, claro, àqueles desgostos de amor "estruturantes", "definidores" - os que definem, ou você pensa que definem - a sua vida futura.

Se tem entre 15 e 25 anos, o remédio é simples: uma ou duas garrafas de um álcool qualquer, um livro do Eugénio de Andrade para se aperceber bem de tudo o que acaba de perder, e um fim de semana em casa, "longe de tudo". Experimente e vai ver que passa.

Se, em contrapartida, a ou o leitor amável tem mais de 45 anos, o caso é mais difícil e mais caro, mais penoso e mais demorado. O meu conselho, baseado em inúmeras experiências, é: um avião para uma cidade francesa - pode mesmo ser Paris, por exemplo - um restaurante sublime (L'Opportun, Bld. Quinet 62, Paris XIV, serve perfeitamente). Deve encomendar-se um bom prato - por exemplo, Épaule d'Agneau en Papillote - acompanhá-lo por um bom vinho (para o borrego, gosto de Brouilly). Esta combinação - avião, restaurante e vinho - leva-nos, inexoravelmente, para longe de tudo. E faz-nos pedir, implorar, muitos desgostos amorosos, muitos, um por dia no mínimo.

A fase seguinte do tratamento consiste em transformar uma mera experiência sensorial numa experiência teológica. E para isso há que encomendar queijos - St. Félicien, Camembert, um queijo de cabra em cinza, por exemplo. São raros, muito raros, os momentos em que acredito na existência de Deus; face aos queijos do M. qualquer coisa, eleito "Meilleur Ouvrier de France", não só acredito na Sua Divina existência como penso seriamente que Ele vive em França. (A isto chamo o "Milagre Francês": você sai do seu país convencido, a justo título, que a França é um país de chatos pedantes e socialistas, presididos por um delinquente de direito comum - pelo qual eles optaram, correctamente, porque a alternativa era um atrasado mental ultra-nacionalista, negacionista e xenófobo - que ainda não se apercebeu que a Fraaaaaaança já não é a potência que em tempos foi, e ao fim de meia dúzia de horas apercebe-se que o país é sublime).


II - PROBLEMAS FINANCEIROS

A terapia acima descrita tem outra vantagem: é que transforma um desgosto de amor num problema financeiro, desviando assim a atenção para outro terreno, quiçá mais trivial mas melhor conhecido, muito melhor conhecido.

A terapia para os problemas financeiros é simples: basta lembramo-nos da existência dos hamburguers do MacDo, da sanduicheria ao lado, dos Hot Dogs; esquecer rum, whisky, cocktails e charutos Montecristo nº 4 (a perfeita combinação de tamanho e gosto) e pensar que milhões de pessoas em todo o mundo bebem cerveja; e lembrarmo-nos que a leitura é um passatempo enriquecedor, neste caso duplamente enriquecedor.


III - PROBLEMAS DE PESO

Na próxima lição trataremos dos problemas de peso induzidos por esta terapia.

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