16.11.18

Diário de Bordos - Genève, Suíça, 16-11-2018

Regresso a Genebra e reencontro o prazer concentrado de cada um dos meus regressos de há vinte anos. É bom voltar a Genebra: os autocarros a horas, tudo a funcionar impecavelmente, desde a aplicação dos TPG (a Carris local) no telefone à máquina dos bilhetes, aos autocarros, às ruas. Hoje fui mesmo um bocadinho mais longe: por distracção apanhei o autocarro errado e tive que mudar mais vezes. Esperas quase inexistentes, autocarros e eléctricos uns atrás dos outros, tudo em silêncio e sem solavancos, sem espinhas, fluido como mel a escorrer de um pote.

Depois do almoço venho à Livresse, livraria cum café (ou vice-versa) na minha zona favorita da cidade. Está frio, um café custa três euros e é péssimo, mas nos primeiros dias tudo passa. Se cá ficasse mais de três ou quatro semanas lembra-me-ia de que na Suiça tudo o que não é permitido é obrigatório e tudo o que não é obrigatório é proibido; que se em cada cidadão há um polícia adormecido, na Suíça ele está acordado (isto diz-se aqui do cantão de Vaud, mas pode extrapolar-se, mutatis mutandis); que esta camada de nuvens não se irá embora até Abril.

Mas os livros, meu Deus, os livros! Caríssimos, é verdade; mas tantos, em todo o lado, tão apetitosos, escritos na língua mais bonita da Galáxia. Felizmente na Livresse posso lê-los sem os comprar.

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O mundo é um lugar estranho, passe o lugar-comum: chego a casa do T., amigo de há quarenta anos, parceiro de navegações e regatas, onde vou ficar este fim-de-semana. Falo-lhe no P. e digo-lhe o nome do arquitecto, Hugh Welbourn. "Estive com ele ontem em Amsterdm. Encomendei-lhe um barco", responde.

T. deixou a vela "lenta" há muitos anos e agora dedica-se exclusivamente a barcos voadores, de que de resto é um pioneiro no Léman. Welbourn especializa-se num sistema revolucionário de foils - pôr Welbourn e revolucionário na mesma frase é um exemplo perfeito de pleonasmo -, daí o encontro dos dois.


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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.