8.9.19

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 08-09-2019

Acabei o charter, bebo duas cervejas numa esplanada, deixo o dia escoar-se, lentamente. Há uma troca pacífica: vai-se o que foi e vem o que vai ser.

Quando comecei a fazer day charter sistematicamente, todos os dias, trabalhava doze, treze horas por dia, sem parar. Começava às seis da manhã e acabava as sete da noite (admitida e inegavelmente, este horário incluía uma pausa de uma hora, das cinco às seis, o tempo que demorava a percorrer os setenta metros de cais. Mas isso fica para depois). Hoje já não é assim: os clientes trazem a sua comida, os barcos estão muito mais bem apetrechados e - sobretudo - não são meus. Dou-lhes uma mangueirada quando chego mas nem a isso sou obrigado. É mais vício, puro e simples vício. Custa-me deixar um bote sem lhe dar um banho de água doce, por rápido que seja.

Não lamento aqueles tempos: eram excitantes, a mistura de adrenalina e álcool (das cinco às seis e das sete em diante) irresistível, mas a verdade é que hoje não teria energia para aquilo. Só passaram quarenta anos, eu sei; mas foram quarenta anos preenchidos.

Vim à praça Drassana beber uma cerveja, tranquilo e sozinho. Vou comer qualquer coisa pouca e vou para casa. Tenho sorte: ao contrário de Rimbaud, bebo a minha cerveja no céu. 

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